O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

DIGNIDADE SIM, ESMOLA NÃO

Faaaaaaaaala galera!

No próximo dia 21, é comemorado o dia da luta da pessoa com deficiência.

Certa vez, criei uma postagem falando sobre o que penso sobre dia
disso, dia daquilo...

Trago-vos hoje, o que para mim é uma grande prova da hipocrisia
enraizada nos tais dias comemorativos.

A luta que envolve as pessoas com deficiência não ocorre apenas um dia
no ano. Pelo contrário! São muitos dias, durante vários e vários anos.

Segue abaixo um texto escrito há 12 anos que, infelizmente, ainda é muito atual.

Não me dê esmolas, pelo amor de Deus!!!
Senhor Redator:
Já tentamos falar aos quatro cantos: aos que dizem que nos
representam, aos que nos geraram, aos que nos conduzem por aí afora,
aos que nos movem e nos comovem, a todos, Sr. Redator! O governo do
país já sabe do nosso pedido e nada de concreto e real foi feito.
Deu-nos alguns engodos para paliar e descomprometer o papel que lhe
cabe.
Dos APROVEITADORES, nem falamos mais! Esses vivem "se fazendo" às
nossas custas...
Vendem a nossa imagem em troca de mordomias e de desafetos. Brigam
entre si para ver quem aproveita mais do poder de iludir e de
trapacear!
Não aguentamos mais essa farsa, essa desventura, essa desgraça!
Somos esquecidos, usados e abandonados por todos aqueles que não
acreditam em nós, inclusive os que arvoram nos representar...
Todos nos olham com o olhar da "piedade misericordiosa do Senhor" e
nos humilham como seres humanos!
Senhor Redator, publique e propague a todos os cantos, pela sua gentileza...
Peça que NÃO NOS DÊ MAIS UMA ESMOLA PELO AMOR DE DEUS...
Alerte que não seja dado dinheiro aos pedintes que o fazem em nosso nome!
Peça que não dê esmolas que sequer nos saciam a fome, a sede, a nossa dor...
Senhor redator, por favor, divulgue que queremos ser cidadãos, dignos
e iguais a todos...
Queremos sim, estudar com dignidade, morar e comer com decência, ter
direito a ir e vir, trabalhar e ser pleno como ser humano... ESMOLA
MAIS NÃO, senhor Redator!
Por favor, coloque nas manchetes, que precisamos acabar com o "mercado
da esmola" em nome do cego...
Queremos ter o direito de ser felizes e plenos sem passar sempre pelo
olhar da piedade...ESMOLA MAIS NÃO, PELO AMOR DE DEUS!!!
Sei que alguns gostam e se acomodam, mas, eu e muitos de nós, não!!!
Entretanto, vivem pedindo esmolas em meu nome e em nome dos meus
companheiros: Dê uma esmola ao ceguinho, pelo amor de Deus!
Não, Sr. Redator, não posso mais me calar diante disso!
Publique em seu jornal, com grandes manchetes e letras garrafais, que
as pessoas desse mundo não devem dar mais dinheiro como esmolas para
cegos e para quem pede em nome desses!
Ajudem-nos sim a construir um mundo igual!
Ajudem-nos a falar de educação plena e com livre acesso para nós cegos
e para os outros discriminados desse país!
Ajudem-nos a acabar com o "tutelanismo conveniente e depravado" que
existe e para o qual usam o nosso nome!
Ajudem-nos a criar leis que propiciem dignidade a nós os cegos como
cidadãos plenos de uma sociedade tão injusta consigo mesma!
Ajudem-nos a crescer como seres humanos e não como eternos pedintes de
favores e de esmolas sem que elas nada nos tenham dado em troca real
até agora!
Brade, Sr. Redator, publique mil vezes na primeira página desse
jornal, para que essa amargura e desventura da esmola saia de mim e de
meus companheiros...
Coloque em todas as cores e de todos os tamanhos! NÃO!
NÃO NOS DÊ MAIS ESMOLA, PELO AMOR DE DEUS!!!
Marilza Vieira de Matos Salvador-Ba 12 de abril de 2001
Cega desde os 28 anos de idade

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Último capítulo da novela Claro TV

Faaaaaaaaala galera!

Após minha mudança, vários percalços ocorreram. O único até então não
resolvido era o da TV por assinatura.

Tentei Net, mas disseram que não era possível fazer a transferência de endereço.

Claro TV, os técnicos marcavam e nunca iam. Acho que tinham Tim Maia como ídolo.

Vivo TV, me deu a informação de que não estava disponível o serviço
para o meu endereço.

Eis que, na semana retrasada, me ligam da claro TV, que inclusive eu
já tinha desistido, pedindo mil desculpas e me oferecendo um pacote
maior por 3 meses e mais uma infinidade de vantagens para eu mudar de
ideia e assinar, pela terceira vez. Rs.

Aceitei.

Como sábado retrasado eu estaria em Floripa participando de um evento,
marquei para esse sábado, vulgo anteontem. rs.

8:15 da manhã. A zeladora bate na minha porta dizendo que o pessoal da
Claro TV estava lá.

Coloquei uma roupa que não fosse pijama, lavei meu rosto para não
parecer que eu tinha enchido a lata na sexta, ou pelo menos para
tentar não deixar isso tão óbvio e fui atendê-los.

Após verificarem por onde o fio da antena passaria, foram ao meu
quarto novamente e disseram que iam fazer a instalação.

Ufa! Nem acreditei. Finalmente!

Entraram no meu quarto novamente para finalizar a instalação. Um
técnico finalizaria enquanto o outro foi no carro buscar o
decodificador e guardar a escada.

Faltava passar o cabo.

O técnico disse: "Vou fazer um furo embaixo da sua janela para passar
o cabo, ok? Posso desligar sua régua por enquanto? Se eu ligar a
furadeira direto nela, vai queimar. Melhor ligar na tomada."

beleza.

Quando ele liga e coloca na parede, escuto um barulhão de água,
seguido da seguinte frase do profissional:

"Putz mano! Pegou o cano!"

O cara tenta segurar toda a pressão da água com o dedo, para não
inundar meu quarto e todos os equipamentos.

A zeladora, por sua vez, não sabia onde fechava o resisto.

Enquanto o outro técnico não voltava, foi o sufoco para segurar a água.

Utilizamos todos os panos possíveis que eu pudesse encontrar no quarto
e no banheiro, além das mãos e pés do técnico dormentes por segurar a
passagem durante todo tempo.

A única coisa sem solução aparente foi o banho que o cara tomou.

Perguntei como poderia ajudar.

Como a informação de onde fechar a água era inexistente, foi preciso a
vinda do gerente da pensão para indicar onde ficava.

Fecharam a água e os caras da Claro TV foram comprar o material para
consertar o cano.

Ainda na dúvida se os caras foram lá instalar a Claro TV, ou construir
uma piscina no meu quarto, continuei esperando.

Aliás eu fiz essa pergunta a eles. kkkkkk.

Antes de continuar, quero parabenizar a todos os pedreiros inteligentes do país.

Passar um cano de água embaixo da janela do quarto... Esse cara é um
gênio! kkkkkkk.

Não esse não é um gênio. É um jênio. com j mesmo... falsificado. kkkk.

Depois do conserto do cano, do acabamento feito, a TV foi finalmente
instalada e eu pude assistir, no domingo, à derrota do Corinthians,
que por sinal me deixou muito feliz, além do empate do Flamengo com a
Ponte Preta... Bom... Quanto a esse último, sem comentário. Apesar
que, pelas circunstâncias do jogo, foi um bom resultado. Ah, e tem um
outro motivo para felicidade. Esse não posso deixar de citar.

Vasco na zona do rebaixamento! kkkkkkkkkkkkk.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Saga Do Itaú

Faaaaaaaaala galera!

Estou meio sumido do blog, devido à correria.

Trabalho, faculdade e também, me preparando para um evento em
Florianópolis, onde participarei em duas mesas de debate.

Numa, falarei sobre o Orca (leitor de telas para o sistema operacional Linux).

Em outra, falarei sobre acessibilidade no sistema Android.

Falando em acessibilidade no sistema Android, gravei um review e passo
o link, caso algum leitor se interesse.

https://dl.dropboxusercontent.com/u/23205518/review%20acessibilidade%20no%20sistema%20android.mp3

O último recadinho:

Estou participando de um programa chamado Sportcast.

Gravamos no domingo, logo após a rodada do Brasileirão e
disponibilizamos na segunda. Nele, comentamos tudo que a gente não viu
de bom e de ruim, não só na rodada do Brasileirão, como dos
campeonatos internacionais e todos os eventos esportivos importantes
na semana.

Isso.... Todos nós no programa somos cegos. Rs.

Quem quiser acompanahr isso de perto, siga no Twitter o @sportcastbr,
ou nos procure direto no:

http://www.soundcloud.com

Se tem página no facebook eu não lembro.

em breve, vai vir aí o programa Zoeira Total, numa rádio Web perto de você. rs.

bom. Agora vamos à saga do Itaú.

fomos almoçar num Shopping aqui perto do trabalho. Mais precisamente,
Shopping Frei Caneca.

Por que eu falei o nome do Shopping? Já vão descobrir.

Almoçamos e eu precisei utilizar um caixa eletrônico do referido banco.

Fomos no primeiro.

Tinha a saída para fone de ouvido. Não funcionava, mas tinha. Rsrsrs.

coloquei o fone lá e nada... Nada... Nada.

Eu e o estagiário, nos deslocamos então para o primeiro piso.

Opa! Tem outro caixa aqui.

coloquei o fone.

A tela escureceu, como normalmente acontece ao usarmos a
acessibilidade nos terminais e o fone, embora com mau contato,
funcionou.

Beleza. comecei a operação.

"Seja bem vindo ao caixa eletrônico Itaú.

Insira e retire seu cartão.......

Você está utilizando um cartão com chip. Insira o cartão até o fim da
leitora e aperte qualquer tecla para continuar.

Digite sua senha..

Você está na tela principal do caixa eletrônico. Aperte 1 para saque,
2 para extrato...

Aperte 1 para sacar 20 reais. 2 para 50 reais. 3 para sacar 100 reais
ou 4 para outro valor...

Digite o valor desejado e aperte entra."

sim. Digito o valor e a tecla para confirmar... aperto uma vez.....
a segunda... a terceira......... aperto com mais força.......
Putz..... Não funciona a tecla confirma. kkkkkkkkk.

Tiro novamente o meu fone para procurar outro caixa. Não tem.....

entenderam agora porque eu falei o nome do Shopping?

É pra ver se eles consertam a merda dos terminais do Itaú, porque não
tem um 100%. Rs.

Toda vez que eu menciono o Itaú 30 horas no Twitter na postagem
referente ao blog eles respondem. Então se é assim, vamos ver se vai
servir para consertarem os terminais.

Resumindo a história.

Saio eu, ando até a R. Augusta para chegar na agência e só aí, consigo
usar o terminal sem qualquer problema.

E depois, para variar, tive que subir a R. Costa, que é uma ladeira
infernal para voltar ao trabalho.

Cheguei sem fôlego..... eu mereço!

Ainda bem que nesse dia não estava chovendo.
Tudo isso porque, "Tem sempre um Itaú pertinho de você".

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cadê O Direito À Leitura?

Faaaaaaaaala galera!

Infelizmente tenho que voltar ao blog para divulgar mais um absurdo.

Existe uma luta pelo livro acessível, onde um dos cegos mais ativos nela se chama Naziberto Lopes.

Vou colar abaixo um texto dele explicando melhor o que acontece.

Se o texto chegou até a mim, suponho que a intenção dele é divulgar.

Se não for, já era. rsrsrs.

Brincadeiras à parte, observem bem o absurdo ao qual nós cegos ainda temos que nos submeter para tentar comprar um livro e ler.

Após o texto vão meus comentários.

Amigos, bom dia.

Não era esperado, mas inacreditavelmente aconteceu. As editoras Cia das Letras, Contexto e Grupo Gem, recorreram da sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo,
contra o meu direito de poder adquirir quaisquer livros dessas 3 editoras no formato digital acessível pagando pelos mesmos, eu disse pagando pelos mesmos!!! É inacreditável.
O meu advogado quando soube ficou pasmo porque é algo surreal levarem essa pendenga para as supremas cortes, ou seja, a luta para evitar que uma pessoa possa comprar
e pagar um livro.

Elas recorreram não apenas para o STF, mas também para o STJ, ou seja, as duas cortes supremas do país.

A alegação delas é mais surreal ainda, a de que o meu direito de ler um livro comprado e pago junto a elas é inconstitucional! Uma pessoa cega poder ler o livro
que quiser no Brasil é inconstitucional!

Agora serão mais R$ 2500,00 de custas de advogado aqui em São Paulo, mais o pagamento de um advogado que terá que ser contratado em Brasília para defender oralmente
a questão no dia do julgamento, que deve ser para daqui mais uns 2 ou 3 anos e mais as custas do processo, que todos sabem, cartórios, idas e vindas aos fóruns,
etc.

Somando a brincadeira vou acabar gastando mais de 6 mil Reais para poder tentar garantir um direito fundamental para qualquer pessoa, para qualquer ser humano, ou
seja, o direito a leitura. É brincadeira ou querem mais?

E isso ainda correndo o risco de chegar lá em cima e perder tudo, e dai ter que pagar os advogados contrários e coisa e tal. realmente é coisa de louco, eu louco
por continuar insistindo e a loucura maior que é a verdadeira prisão em que as pessoas cegas desse país estão sujeitas.

E me perguntariam o seguinte: Não teria sido muito mais fácil submeter-se a regra geral, ou seja, ajoelhar-me diante da Fundação Dorina e implorar por algum livrinho
que eles tenham em estoque ou que eles queiram preparar para mim? Sim, eu responderia, seria muito mais fácil, cômodo e tranquilo se eu tivesse me comportado assim
há 3 anos atrás quando fui até a editora contexto e solicitei a compra de um livro. Na época eles me disseram qual era a regra que eu deveria seguir para conseguir
aquele livro.

O problema meus caros colegas, é que eu tenho amor próprio, vergonha na cara, orgulho, me considero gente, ser humano e não bicho, fantoche, boneco, marionete.

Se eu tivesse aceito as regras do jogo, que aliás são históricas no Brasil, eu teria que chegar em casa e jogar tudo isso na lata de lixo, e isso eu não vou fazer
jamais.

Até porque não acredito que existam latões de lixo suficientes que comportem mais uma moral, mais um ser destruído pela humilhação e pela discriminação, porque são
tantos cegos jogados neles por todos esses anos que não acredito que exista mais espaço para ninguém.

p.s.: Mas uma coisa boa é a seguinte: O recurso não tem efeito suspensivo, quer dizer, até o julgamento final eu posso continuar comprando os livros que quiser nessas
3 editoras, eles estão sujeitos a decisão do Tribunal de SP e isso o recurso não anula.

É isso.

Abs.

Naziberto Lopes


Como o próprio Naziberto citou no início de seu texto, isso é inacreditável.

a tecnologia está aí, várias lojas já vendem livro digital, pois várias editoras já produzem e essas 3 editoras, através de uma atitude retrógrada, tenta retirar o direito à leitura que deveria existir para todos.

Eu só me pergunto:

Não teria condições de arcar com os custos de tal luta, já que essas 3 editoras recorreram da decisão, assim como a maior parte dos cegos no Brasil. Isso significa então a derrota plena?

Há anos somos reféns da Fundação Dorina, antiga Fundação Para O livro Do Cego No Brasil, em tudo que diz respeito à livros.

só podíamos ler os livros os quais a referida instituição achava que deveríamos ler e se interessasse em preparar.

Hoje, a tecnologia nos dá a faca e o queijo na mão para mudarmos isso.

Mesmo assim, 3 editoras tentam impedir uma pessoa cega de comprar seus livros... Gente..... Estamos falando em comprar.

E o pior:

Se ainda houvesse um custo maior de produção para os tais, ainda se justificaria. Um exemplo claro disso, se o nosso amigo estivesse exigindo livros em braille.

O custo de produção é maior, volume da obra também, não haveria lucro, etc..

Agora, ele reivindica podermos comprar os livros em formato digital. Só para lembrar, os livros atualmente já são digitalizados antes de sua impressão.

Isso mesmo.... O que precisamos para ter acessibilidade e podermos ler o livro que quisermos, pagando por ele, é justamente de um procedimento o qual as editoras já fazem.

Quanto ao direito de comprarmos qualquer livro e lermos ser inconstitucional, sinceramente, gostaria de saber qual embasamento tais editoras tem para esta alegação absurda.

Ops. será que eu deveria usar essa, ou esta, nessa frase?

Ou será que eu deveria ter dito nesta frase?

Sempre me confundo com isso.... Alguém me explica? rs.

Até hoje não consegui entender..... rs.

Em fim: Vocês entenderam... Ou, pelo menos, espero. rs.

Só me resta, no meio de tamanha indignação, agradecer ao Naziberto pela disposição e pela luta que beneficiará, não só a ele, como a todos nós e, tentar passar força para que continue.

Afinal, com certeza, há momentos nos quais ele deve ser tomado por desânimo, pois é humano!

Força cara! Venceremos essa luta.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Resgate Da Bengala



Faaaaaaaaala galera!

antes de contar a história do resgate da bengala, vou indicar uma música que me emocionou na primeira vez que escutei, e emociona até hoje.

Alguns de vocês viram a reportagem para o programa Mais Você, mostrando o meu cotidiano, o trabalho, etc.. Mas, apenas os leitores que convivem comigo sabem da minha trajetória até aqui.

Em 1998, terminei meu curso técnico em Processamento De Dados. No entanto, entre terminar o curso e começar a carreira profissional, existe uma grande diferença.

Me vi desempregado e sem perspectiva.

Em 2000, uma luz começa a acender. Olha. Era uma luz acessível.... Até eu que sou cego vi. rsrs.

Consegui um estágio no Serpro.

Ali, comecei a adquirir uma maior independência pessoal, com relação à locomoção e também outros aspectos, além de a partir daí, conhecer pessoas e poder também, ter uma experiência para adicionar ao meu currículo.

Só que esse estágio, assim como qualquer outro, acabou.

Retornei então à mesma situação profissional de antes. Lógico. A experiência de vida que adquiri eu nunca perdi, não perderei e ela tem certa responsabilidade em eu ser quem sou hoje.

Desempregado, vivendo de biscate.... bom.. em São Paulo chama bico... Mas, sou carioca... Tudo bem que biscate em São Paulo é outra coisa, mas não é o caso. kkk.

As vezes aparecia algum contrato como instrutor de Informática onde dava pra tirar uma grana. Mas, acabava o curso e com ele, o contrato e aí já era.

Me virava fazendo serviços particulares de montagem e manutenção de micro e aulas de Informática.

Mas, quem trabalha de forma autônoma nessa área, sabe como é.

Quando tem serviço, tem dinheiro. Quando não tem..... Rs.

As vezes, mal conseguia para a cerveja do fim de semana. outras, nem isso.

Os anos se passavam, a incerteza continuava e isso me frustrava. Afinal, lutei tanto para poder conseguir ter a profissão que queria.

Não desisti.

Continuava me atualizando como podia. Varei madrugadas para aproveitar o pulso único, na época de conexão discada, que era entre 0 e 6 da manhã.

Mas todo o conhecimento até então era aplicado nos serviços particulares e também, para ajudar a galera com dificuldade em fóruns, listas de discussão.

Decidi depois estudar o sistema operacional Linux. Na época, todo o material de acessibilidade nesse sistema era em inglês. Não conhecia praticamente nada do idioma e o pouco que aprendi foi na raça.

Era uma janela com o texto e outro com um dicionário abertas simultaneamente.

Só depois, devido a um contrato legal para um curso consegui cursar um ano de inglês, a nível de conversação. Curso inclusive indicado pela coordenadora após entrevista em inglês.

Durante todo esse tempo, fui participando de vários processos seletivos. Quem acompanha meu blog sabe como as empresas encaram os candidatos à vagas que tem alguma deficiência. Encaram como cotistas e não como profissionais e as vezes, fazem o processo por fazer.

Quando reclamo da lei de cotas e da forma na qual tudo acontece na prática, é por já ter sentido tudo isso na pele.

Até que a atitude despretensiosa de ajudar a galera na Internet gerou frutos em 2007.

Recebi uma proposta para trabalhar em uma associação, dando suporte técnico à tecnologias assistivas. Nesse caso específico, dava suporte a alguns programas de leitura e de ampliação de tela, tanto para computadores, como para celulares. Foi nessa altura que mudei para São Paulo.

Trabalhei lá durante um ano e dez meses, até que passei no concurso público da CET e aí iniciou-se a parte da história a qual vocês já conhecem.

Por isso quase chorei quando ouvi essa música pela primeira vez.

Antes de postar o link, tomo a liberdade de usar o refrão desta canção, com o privilégio de ser uma prova viva de que é a mais plena verdade a mensagem passada por ela, para dizer a todos que estão sem perspectiva, seja profissionalmente ou em qualquer campo da vida, o seguinte:
"Ergue essa cabeça, mete o pé e vai na fé; Manda essa tristeza embora.
Basta acreditar, um novo dia vai raiar; Sua hora vai chegar."

Com certeza chega, gente. Segue o link:

agora vou contar sobre o resgate da bengala.

Quinta passada, saía para o almoço com uma galera do trabalho, como sempre.

Eis que um dos amigos, na saída do elevador, tropeça na minha bengala e ela inacreditavelmente vai direto dentro do fosso.

Sim gente... Ele jogou minha bengala lá, mas é meu amigo..... Foi acidente. kkkkk.

Recebemos a informação de que seria necessário abrir um chamado para que a empresa prestadora do serviço de manutenção dos elevadores pudesse retirá-la de lá.

E para minha total sorte, isso aconteceu justamente em um momento em que eu estava desprovido de bengala reserva..... Imaginem.

Cego sem bengala.... Bom. Será? Nesse caso, eu poderia me considerar duplamente cego? kkkkk.

Fomos almoçar, enquanto eu pensava no que fazer sem bengala.

O personagem da história, parecia mais desesperado que eu. Rs.

Ele quase chorando dizia:

"To com vazamento em casa, aluguel atrasado, pagando pedreiro e agora eu ainda consigo jogar uma bengala no fosso."

Kkkkkk.
 Apesar do desespero, não podia deixar de me unir à galera pra zoar ele. rsrsrs.

Começamos a inflacionar o valor da bengala pra deixar ele mais nervoso ainda, além de outras coisas. . rs.

Como não sabia se a bengala seria retirada no mesmo dia e, caso fosse, não tinha certeza sobre o estado no qual ela viria, liguei na loja a fim de comprar outra.

Alô. Vocês tem bengala de 1,35 CM?

Só terça...

 Imediatamente, cheguei à seguinte conclusão:

Agora fodeu! kkkkkk.

No período da tarde, precisava ir ao Sindicato entregar um documento. Sem bengala... Imaginem. rs.

Fui de carona com um amigo. No caminho, lembrei da loja existente na associação onde trabalhei. Isso. Aquela citada anteriormente.

A bengala deles é um pouco diferente. É de alumínio. A usada por mim é feita com fibra de carbono.

Mas, naquela altura..... rsrsrs.

Liguei.

Alô. Vocês tem bengala de 1,35 CM?

Sim, tem.

Opa. To indo buscar.

Fui, comprei e, no caminho de volta, recebo uma ligação aqui do trabalho informando sobre o sucesso no resgate da bengala, para alívio do meu amigo que tropeçou e também o meu.

Agora tenho bengala reserva, já que a titular saiu intacta do fosso.

Essa história me fez concluir o seguinte:

Se a minha bengala conseguiu passar num vão onde todos jurávamos ser impossível e ir parar no fosso, então, ela é boa de buraco!

Isso... Minha bengala é boa de buraco!

kkkkkkkkkkk.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

E as férias acabaram!

Faaaaaaaaala galera!

Pois é. Como diria Galvão Bueno:

ACABOOOOOOU! Acabooou!

E foi a primeira coisa que me gritaram ao chegar no prédio onde
trabalho. kkkkkk.

As férias foram ótimas.

O retorno já me fez passar pelas duas barras habituais pós férias.

Só quem nasceu e foi criado numa cidade vai conseguir entender isso.

Quando passamos as férias onde se encontram nossas raízes, revendo
amigos, familiares, frequentando novamente os lugares que gostamos,
sentimos uma certa tristeza na hora de partir.

É natural. Mas vida que segue. É algo rápido e partimos já com o
coração cheio de saudade, esperando o momento de retornar lá.

Bom..... Sim... Acho que eu to meio melodramático hoje. rs. Mas é fato.

A segunda barra:

Acordar às 6 da manhã, depois de ficar 30 dias sem fazer isso. Ainda
mais no período de inverno.

A terceira barra eu ainda vou passar mais tarde.

É descobrir que cochilo pós almoço não me pertence mais. kkkkk.

Mas, nem tudo são flores, né? e con as férias não seria diferente.

Abaixo vai um resumo do que foram essas férias.

Viajei para o Rio.

Vou primeiro citar o percurso, pois infelizmente o mesmo incidente
ocorreu tanto na ida quanto na volta.

O ônibus da Viação 1001, que vai de São Paulo para a rodoviária de
campo Grande, no RJ, fazia sua parada na rede Graal de resende. Lá,
assim como em todos os postos da rede Graal e também de outras redes,
quando descemos, um funcionário nos acompanha para o que precisamos
fazer e nos leva de volta para o ônibus.

Em Resende, até conheço o pessoal que costumava auxiliar pelo nome, de
tanto que já fiz essa viagem.

Desde o dia 06/07, a parada passou a ser realizada no Estrela Graal em queluz.

Viajei 11/07. O ônibus onde estava encostou no referido posto, por
volta das 16 H.

Ao chegar na entrada e pegar a comanda, solicitei auxílio, pois iria comer.

A moça na entrada diz ao senhor que fazia apenas a gentileza de me
levar até a entrada:

"É melhor o senhor entrar com ele."

Ele argumentou: "Mas, eu não vou entrar."

A mulher, se fez de desentendida.

Achei bem estranho, já que costumo passar em postos da rede e isso
nunca havia acontecido.

Ontem, ao retornar, quando por volta das 19:30 paramos no mesmo local,
o motorista, conforme orientação das empresas de ônibus, me levou até
a entrada do posto para que lá um funcionário pudesse me auxiliar.

Mais uma vez, a funcionária disse que haveria dificuldade em fazer
isso, pois o posto estava cheio.

Aí argumentei:

É a segunda vez que eu passo aqui e acontece a mesma coisa!

Ela tentou se fazer de desentendida, quando eu argumentei novamente:

Deixa eu explicar: Viajei no dia 11 e estou voltando hoje, parando
aqui nos dois percursos e é a segunda vez que vocês se recusam a me
auxiliar.

Por saber que esse não é o padrão da rede Graal, estou achando muito
estranho. Sacando o celular do bolso falei: Acessarei a Internet e
farei a reclamação, pois a rede com certeza deve ter algum local de
contato paraisso.


O motorista, dando todo apoio disse: quem é O (A) gerente do estabelecimento?

O engraçado é que o papo logo mudou.

"Vou verificar alguém que possa auxiliar".

O motorista disse que conseguiu falar com a gerente e passar o ocorrido.

Segundo ele, ao voltar e falar com a atendente novamente e inclusive
dizendo que esse atendimento era regulamentado, ela disse: "Não
Sabia".

Fica a dica para os cegos leitores do blog.

Ao passar no Estrela Graal de Queluz ou em qualquer outro posto, caso
passem por esse problema, solicite ajuda do motorista e procure o
gerente.

Aliás valeu muito o apoio do motorista para que a situação se resolvesse.

Registro também que, após eu argumentar e dizer que faria a
reclamação, em menos de 2 minutos estava lá um funcionário para me
auxiliar e devidamente treinado.

Seria bem diferente se ela dissesse:

"Vou solicitar o auxílio. Poderia aguardar um pouco, pois o posto está lotado?"

É bem diferente de dizer que não conseguiria o auxílio.

Mas em fim.... Fora esse transtorno de ida e volta, as férias foram
muito legais.

No dia seguinte, fui no Shopping para não ver algumas vitrines.

kkkkkkkkk. kkkkkk.

Encontrei uma bolsa a qual gostei muito e, adivinhem...... rs.

Estava com minha mãe e passamos numa loja onde tinham algumas jaquetas legais.

Eu gostei de uns 3 modelos. Só que........ Não tinha do meu
tamanho...... Nenhum deles..... Po!.... A galera lá do rio não
engorda? só eu?

Porque é tão difícil achar roupa tamanho GG no shopping? Isso é
discriminação. kkkkkkk.

à Noite, fui para um bar.

Acho que fui ao primeiro estabelecimento onde o garçom era cego.

Sério! Eu acho. Fiquei lá meia hora e nada de ele me ver e vir me
atender. kkkkkk.

eu só fiquei lá esse tempo todo porque o músico era muito bom.

Até que em algum momento ele para de cantar e fala ao microfone:

"Se alguém quiser fazer algum pedido".

Aí respondo bem alto:

Eu quero! Quero pedir para alguém vir me atender, porque tá difícil!

O garçom se desculpou e aí logo arrumamos um esquema e eu não fiquei
mais de copo vazio. Rs.

No dia seguinte, fui almoçar na casa do meu amigo cego, velho e
ex-gordo. Kkkkkkk.

Semana seguinte.

Sexta um aniversário.

Fechamos a noite num bar super legal, onde a cerveja era gelada e o
som: Pop Rock anos 80. Adorei esse lugar em Campo Grande. Não
conhecia.

Dia seguinte, retornei ao bar onde fui na semana anterior.

Gente. Esse foi um dos momentos mais engraçados das férias. Preparem-se!

Estava eu sentado, tomando meu chopp tranquilamente.

Chega um senhor e diz:

"Minha namorada gostaria de falar um minuto contigo, pode ser?"

Sim. Respondi.

Afinal, sou bastante comunicativo, gosto de fazer amizades.

Até que ambos se sentaram na mesma mesa que eu.

Ela conversa comigo rapidamente e depois começa:

"Porque Jesus sabe de todas as nossas aflições.

Porque eu estou com ele".

Aí eu falo: Po. É crente.

Eu até então não tinha visto crente pregando depois de bêbada, mas em
fim.... Apesar que eu não ver alguma coisa é algo absolutamente
normal.

Eis, que, do nada, ela inverte:

"Eu sou a gira. Quem promete e não cumpre! Olha, vocês que prometem e
não cumprem, vão ver só"!

Não aguentei:

Porra! Define o que você quer. É crente, ou do terreiro? O que você
quer? Decide!

kkkkkkk.

E o namorado começa... Aliás na boa. Acho que ele tava conhecendo ela
naquele momento e não sabia o quão louca ela era.

No mesmo momento falou:

"Vou cantar um ponto pra você subir.": kkkkkk.

Ele, já muito puto com a situação, disse: Vou embora.

Aí eu falei: Opa... Calma aí.....

Você veio conversar comigo, te tratei super bem, tentei fazer amizade
com vocês da melhor forma. Agora, tu não vai embora e me deixar com
essa bomba não, né? Vai levar junto, né? kkkkkkkk.

Eis que quando ele falou com ela para se retirar da mesa e eu pedi por
favor que ela o fizesse ela começa, novamente:

"Você sabe quem é que ta aqui? Sabe? Olha só... cego? Agora mesmo tu
vai enxergar! Que negócio de cego o que... Vou fazer tu enxergar."

Kkkkkkk.

Po.

Olha eu fiquei preocupado.

Pelo pouco que eu percebi dela, era alguém que eu não faria questão de
ver pelo método braille, que seria a única forma possível. Rs.

kkkkkkkkkk.

Mas felizmente não precisei ter aquela visão do inferno. Rs.

E esse fim de semana foi para fechar com chave de ouro.

Dois aniversários de pessoas também muito queridas.

O do domingo, estávamos ainda às 10 da noite num almoço de
comemoração, comprando mais cerveja. rsrsrsrsrs.

Agora, a rotina voltou.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

E as férias chegaram!

Faaaaaaaaala galera!

Estava sumido do blog, porque finalmente as tão esperadas férias chegaram.

E com elas, algumas situações engraçadas, outras nem tanto, outras que
eu gostaria de esquecer.

Hoje eu vou contar as 3 que sinceramente, são para esquecer.

Primeira.

Quarta passada.

Estava eu num bar assistindo ao jogo são Paulo e corinthians.

Termina o primeiro tempo e eu torcendo contra a gambazada, como
sempre. O problema é que estava cercado por 3 amigos corinthianos.

Eis que, São Paulo empata.

Escuto uma galera vibrando. Fiquei alegre.

A barulheira do bar não me deixava ouvir direito o som da TV.

Eis que, na mesma direção onde ouvi os São Paulinos vibrando, ouvia
mais vibrações.

comecei a vibrar também com um gol, mesmo não ouvindo direito de quem era.

Exato. Quem acompanhou o jogo já viu o que aconteceu. O gol não era do
são Paulo e sim, do Corinthians.

Não.... Essa é pra esquecer.... Deleta... eu vibrando com um gol do
Corinthians.... abafa o caso. E abafa bem.... Por favor.

Como se não bastasse, o sábado chegou.

Flamengo e coritiba jogavam pelo campeonato brasileiro.

Aliás, não sei porque a cidade chama Curitiba e o time Coritiba.

Aliás, certa vez um amigo até me explicou, só que eu estava bêbado e
já não me lembro.

Meu celular me notifica sobre o início do jogo.

Daqui há pouco, notificação. Gooooooool Do Flamengo!

Passa um tempo, outra notificação.

Gooooool do Flamengo... Eu vibrando, abri um outro aplicativo para
poder ouvir o restante da partida pela rádio Globo do Rio. afinal, sou
fã da narração de Luiz Penido.

eis que, daqui há um tempo... gol do Coritiba!

É.... já estava meio puto. Passam alguns minutos e:

Gol do Coritiba.... Gente. Não era replay.

O coritiba tinha empatado mesmo. Que merda!

E 2 x 2 foi o resultado do jogo, com os gols do Coritiba saindo
exatamente depois que eu comecei a ouvir a partida. kkkkkkkk.

Agora a terceira coisa:

Fui almoçar num restaurante indicado por um amigo. O estabelecimento
foi recém inaugurado.

Espero meia hora para ser atendido. até aí, pouca gente trabalhando,
estabelecimento cheio.

Como meu amigo falava que a comida era boa, fiquei curioso.

No cardápio, tinha feijoada como opção. Pedi uma.

Espero mais meia hora para que a suposta feijoada chegue.

Já vou explicar porque suposta feijoada.

Finalmente, chegou.

Isso. Após uma hora de espera, finalmente!

Pedi para que a garçonete me servisse, a fim de facilitar.

Tudo pronto... vou começar a comer.... Imediatamente, me deparo com um
arroz do tipo "Unidos Venceremos", feijão, uma costela e um pedaço de
linguiça.

Gente... Fala sério! desde quando isso é feijoada?

como podem notar, o primeiro fato contado por mim ocorreu quarta
passada e o último, hoje. Encerramos o ciclo de uma semana. Já chega,
né? kkkkk.

Amanhã viajo para o Rio. assim que possível, venho contar as novidades.