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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

aventuras no hospital

Faaaaaaaaala galera!


Depois de um tenebroso inverno, o Cotidiano cego está de volta. 

Não vou dizer que ele saiu para comprar cigarro e nunca mais voltou, porque eu não fumo. Ele entrou, sei lá, num período sabático.

Embora hoje eu não seja mais o mesmo cara baladeiro que postava antigamente e tenha mudado alguns hábitos, o blog vai continuar com a mesma pegada de sempre. Divertido e as vezes com algumas postagens sérias relacionadas à cegueira. Mudei sim, mas não diria que tomei juízo pois, nunca encontrei isso em nenhum bar ou restaurante nos quais fui.

Mas, vamos à postagem. Diria que esse post será uma merda! Logo vocês vão entender.

Fiquei internado durante dois meses, devido ao rompimento do tendão patelar do joelho direito.

Resumindo: além de cego, fiquei temporariamente perneta.

A cirurgia correu bem, a fisioterapia também e agora to voltando a fazer as coisas que fazia antes.

Mas, lá no hospital, aprendi muita coisa.

Primeiro, que as vezes a gente reclama do que tem e encontra gente muito pior. Segundo, que eu descobri alguns tratamentos alternativos os os quais nunca tinha ouvido falar, como por exemplo, fazer o intestino funcionar sob ameaça.

Estava eu com uma semana de internação e nada de conseguir evacuar. Vinha dieta laxativa, óleo mineral e nada.

aí vem uma mulher e me pergunta se eu já tinha feito.... Sei lá qual é o nome... algo como cristel ou cristela, sei lá.

Aí eu pergunto: desculpe minha ignorância, mas o que seria isso? Ela respondeu:

é a inserção de uma aste flexível no anus. Não! Não fiz...

É... acho que não vai ter outra alternativa. Juro que não demorou meia hora para o intestino resolver funcionar! Não precisou nada disso.

Aí, chega um outro cara com obstrução intestinal.

Estavam fazendo de tudo para não operar, visto que ele já tinha passado por uma cirurgia quando criança.

Daqui há pouco chega ele contando a situação.

Me levaram lá pra Santa cruz para fazer uma tomografia.

Aí, o cara da ambulância me pergunta: quer com, ou sem emoção? Aí eu respondi: do jeito que chegar mais rápido.

Aí, a ambulância se mexeu tanto que eu me caguei todo...... quando fui dizer para o técnico: me caguei todo! ele disse: Você deveria estar feliz!

quando ele terminou de contar, falei que deveríamos chamar o motorista. Afinal, ouvi falar de várias modalidades de direção. Direção defensiva,... Agora, direção digestiva eu nunca tinha ouvido falar. É modalidade nova pelo jeito.

Também aprendi que a palavra tem poder.

Teve um cara que operou o braço chamado Luciano.

Aí brincando com um outro paciente, visto que só estávamos nós dois na enfermaria eu digo: po. tamo sozinho! Vamos mandar chamar o luciano de volta!

Meia hora depois o Luciano entra na enfermaria e fala: voltei!

Porra! Fiquei bolado. O outro paciente disse que quando ele saísse ia fazer oração intensa pra minha boca não fazer ele voltar.

O luciano teve que fazer uma revisão na cirurgia, mas graças a Deus ele só teve que ficar lá algumas horas.

Aí fui transferido para um outro hospital, em Barra Do Piraí.

Eu imagino a cara do pessoal quando foram informados que receberia um cego que não estava andando. Acredito que a palavra unânime na cabeça de todos deve ter sido: Fodeu!

Lá aprendi que sempre deveremos ser gratos a tudo.

Uma das técnicas de enfermagem, quando entrou para os banhos no leito, disse: "não sei onde eu deixei meus óculos." Na mesma hora, eu disse: graças a Deus eu não preciso de óculos. Temos que ser gratos, afinal!

Lá, as vezes aparecem alguns estudantes de enfermagem e de medicina que até fazem alguns procedimentos, perguntas. Um belo dia a inteligência de um desses estudantes me impressionou. Ele chega para a companheira dele que também estava na enfermaria e diz: "Vamos fazer logo as anotações por que aí, quando a gente terminar, terminou."

caramba! como ele chegou a essa conclusão? Quando terminar, terminou. Será que ele chegou a esse resultado sozinho, ou precisou da ajuda de alguma IA para isso?

Faltando dois dias para a minha possível alta, um pedaço do teto do hospital cai na minha testa após o banho de leito.

Cego, perneta e com a testa machucada é demais, né?

Finalmente tive alta e após algumas seções de fisioterapia, passei de duas muletas para apenas uma.

Foi aí que comecei a sair na rua com bengala e muleta. Estava eu indo à padaria e, ao passar em frente a uma casa, uma mulher comenta: "ele tá melhor que a minha mãe!"

Porra! Eu não quero nem pensar como deveria estar a mãe dela. Se eu de muleta, mancando estava melhor que a mãe dela........

Quem sabe no futuro eu conto sobre as seções de fisioterapia.

Foi bastante choque, exercícios e algumas artes, mas fica para uma próxima.