O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

É Pra Rir Ou Pra Chorar?

Faaaaaaaaala galera!

Acabo de receber um e-mail.... Bom.... Ainda to em dúvida se é pra rir, ou pra chorar..... Não sei.

Vou reproduzir apenas o trecho mais absurdo. Me ajudem a decidir, por favor......... É pra rir ou chorar.... Segue o trecho:

“Associação de Deficientes Visuais e Amigos    
Cinema inclusivo
A ADEVA em parceria com a SABESP promoverá a realização de exibição de
filme com audiodescrição gratuitamente para pessoas com deficiência visual e
seus acompanhantes.”

Nossa!

Vamos dar um desconto.

Quando eu li o assunto denominado Cinema Inclusivo, tive a ilusão de realmente e, finalmente, ler algo onde realmente se praticaria inclusão.

Dizem que sem ilusão não há vida. Ponto então para a ADEVA. Me fez viver por alguns segundos uma doce ilusão.

Agora é pra rir ou chorar?

Chamar de inclusiva uma seção de cinema restrita apenas aos cegos e seus acompanhantes.... Putz! Kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Gente.... Na boa...... Vou dar uma dica.... Busquem por inclusão no Google.

Aliás a dica também serve para quem eventualmente vai dizer que eu reclamo demais. Vão achar vários sites onde se define claramente o conceito de inclusão.

A minha pergunta agora é:

Quando seremos incluídos de fato?

Tenho dúvida. Parece que existem várias inclusões hoje em dia... O conceito está deturpado.... E isso complica cada vez mais.

Por isso, não sei se é pra rir ou pra chorar.

Se por um lado chamar uma seção restrita aos cegos e acompanhantes de inclusiva é uma grande piada, por outro, é triste sentir que a inclusão está cada vez mais longe, devido a estas alterações no conceito.


Tá.... Vamos fazer o seguinte então. Para não ser totalmente incompreensivo, passarei a considerar a existência de uma inclusão genérica. Kkkkkkkk. Kkkkk.

Eu luto pela verdadeira.

3 comentários:

Alexandre disse...

André,

Em minha opinião é para chorar, mas não pelos argumentos que voce citou mas pelos seguinte argumentos:

Vivemos em um pais de trceiro mundo que não investe em educação e muito menos em cultura.

Isso leva as empresas proprietárias das salas de cinema a cobrarem valores abusivos em suas sessões, já que podem alegar que ha um grande número de pessoas que pagam meia com suas carteiras de estudante, e com isso tem de repassar esse custo adicional aos demais usuários.

Ainda bem que pagamos meia, e faz todo sentido né? Afinal só usamos 50% dos recursos da sala que é o audio, mesmo assim tenho de colocar alguns pontos:

Quantas sessões com audio descrição voce conhece? Quantas delas ocorrem em grandes salas de cinema em shoppings?

Desculpe, mas infelizmente são apenas ações comoesta da ADEVA de reunir deficientes e acompanhantes para assistir uma sessão que leva um pouco do que é uma sessão audio descrita ao publico.

Tenho de te lembrar que a primeira, e unica sessão audio descrita que assisti até hoje foi aquela no Cine SESC, em um evento anual que reun os melhores filmes do ano anterior, ou seja, uma sessão com filmes "velhos".

Concordo com voce que isso deveria ser mais comum, mas sabemos tambem o quanto a nossa classe é unida e como nós corremos atras das coisas.

E por ultimo, para aqueles que acham que a audio descrição não é necessária, assista e depois me explique o filme "A Origem", ou Inseption em ingles, sem uma audio descrição.

Valeu!!!

Letícia Costa disse...

Digamos que é preciso rir pra não chorar! Eles fazem segregação, e chamam de inclusão... Muito triste!

André Carioca disse...

Alexandre.

concordo mais ou menos com o que disse.

O ainda bem que pagamos meia, assim como o fato de ser justo por só usarmos metade dos recursos, é um dos pontos.

Não vou entrar no mérito do quanto é necessária ou não a áudio descrição e sim, no de que nunca existirá o recurso quando se realmente precisar, se continuarmos com esse pensamento.

Sabe, assim como eu, que existe tecnologia suficiente para que se disponibilize no cinema a áudio descrição já gravada em estúdio junto com o filme.

Agora, sabe por que isso nunca irá para a frente?

Porque, qual sala de cinema ou produtora de filme, que já poderia inserir o recurso diretamente no filme assim como faz com as legendas, se interessará, já que se trata de um público que só paga metade do valor?

Esse é o primeiro ponto.

O segundo, já disse que não entrarei em detalhes sobre a importância ou não da áudio descrição porque aí é relativo. Depende muito de cada situação e pessoa.

Já citei aqui um caso onde a audiodescrição fez falta, quando numa novela das 6, a última cena foi muda, impossibilitando que cegos tivessem noção de como terminou.

No caso citado por você, acredito também que faça falta. Já em outros, talvez sim, talvez não, de acordo com as pessoas. Mas não é esta a questão e sim o fato de tudo ocorrer numa promoção de segregação.