O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Olha só que engraçado!

Faaaaaaaaala galera!

Hoje, na saída de casa para o Trabalho, aconteceram duas coisas interessantes, sendo uma engraçada.

A primeira, foi legal.

estava entrando no metrô, eis que um cidadão segura no meu ombro e pergunta se quero ajuda.

Como raramente acontece, ele perguntou você não quer?

Daí eu disse:

Bom. Já que o senhor está disposto a me ajudar, vamos fazer da forma correta?

Eu tinha explicado que ele não podia me segurar porque eu não teria referência dos degraus da escada do metrô.

Quando eu falei isso ele argumentou, mas compreendeu quando eu perguntei se poderíamos fazer da forma correta e procurou ouvir pra ver como seria!

Gente isso é legal.

Tem tanta gente que já fica com raiva, acha que você quer recusar ajuda e tal, por não admitirem estar erradas.

Eu até não necessitava da ajuda naquele momento, mas ele foi tão compreensivo e teve tanta boa vontade... rs.

Bom. Agora a parte engraçada foi no ônibus.

Olha, tinha uma passageira que eu tenho quase certeza que assistiu à reportagem do programa da Ana Maria Braga.

Explico porquê.

ônibus lotado como sempre.

Me preparava para descer.

Pedi que alguém avisasseao cobrador, que desceria no próximo.

Daí uma senhora....

Cobrador! Vai descer no próximo o espe........ Ou seja... Ela parou pra não dizer especial!

kkkkkkkkkkkk.

Mas é lógico. O cobrador, na hora grita para o motorista:

Especial descendo pela frente!

É... A coisa vai ficando cada vez pior.

Eu já falei.... Meu estado de alerta nas barracas de pastéu na feira já tem que ser alto.

Lógico! Vai que alguém chega na barraca e fala:

Quero comer um especial.... Po eu vou ter que sair correndo!

Como já disse no outro post né?

kkkkkk.

Galera, até mais!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexta-feira 13

Faaaaaaaaala galera!

To eu de volta, nessa sexta-feira 13.

Tem gente que reclama, não gosta, mas por incrível que pareça, é um dia de sorte pra mim.

Hoje, meu dia começou normal.

Tudo como sempre... Pessoas na rua na correria, eu indo no metrô, na decida do ônibus uma moça tentando segurar no meu braço e ainda ficando P da vida porque disse que estava querendo me ajudar.... É... Nem sempre querer é poder né?

Sem contar o cara que não gostou quando, ao me indicar lugar para eu sentar, pedi que educadamente se ele poderia soltar meu braço para que eu conseguisse sentar. kkkk.

Ou seja: Tudo absolutamente normal.

Na hora do almoço, aconteceu algo engraçado.

Na saída da lotérica.

Alguns amigos foram na lotérica e eu fiquei esperando, já que eu não ia jogar.

Eis que escuto uma explicação de uma senhora para um rapaz que estava praticamente ao lado. Não entendi bem, mas ouvi algo como:

A sei... Ali perto daquele bar amarelo?

Ela isso: Perto daquele bar amarelo. Tá vendo aquele negócio azul, perto do posto laranja? Isso... É ali.

Eu não sei porque, mas comecei a rir.

Me veio na cabeça logo o seguinte:

Já pensou eu recebendo uma explicação dessas? kkkkkk.

Inclusive ri mais ainda quando lembrei que por incrível que pareça, existem pessoas que teriam a capacidade de me dar uma explicação dessas!

É o que eu costumo dizer. O pensamento humano é capaz de tanta coisa.

Hoje mesmo contei para a funcionária do metrô que me auxiliava no embarque uma situação engraçada.

Imagina uma avenida. Eram 3 pistas.

Eu querendo atravessar.

O sujeito chega e pergunta: Quer ajuda para atravessar?

Prontamente aceitei..

Ao chegar na pista do meio, o sujeito pergunta:

Bom e agora? Você vai querer atravessar pro outro lado também?

Eu juro...... O cara perguntou..... Se ainda fosse um lugar que tivesse um ponto de ônibus no meio, era até justificável...

Mas.....

Agora pra finalizar, uma do trabalho...

Atendo o telefone.. Informática André boa tarde..

Boa tarde o SR..... Está?

Só pra manter a tradição de não citar nomes no blog, não falei o nome do sujeito que estava em reunião no momento.

Ele não se encontra no momento...

Eis que a moça diz: É pra confirmar a presença dele num evento. É só com ele mesmo? kkkkkkkkkkkk.

Meu. Como eu ia saber se ele vai na merda do evento ou não... Só ele que vai saber né? kkkkkk.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nem tudo é mico e engraçado no cotidiano!

Faaaaaaaaala galera!

como vocês tem acompanhado, sempre posto nesse blog situações engraçadas, muitas vezes geradas pelo fato das pessoas quererem ajudar e não saber como.

Mas hoje vou mostrar um outro lado.

Quem gosta de conversar como eu, tem no cotidiano uma grande possibilidade de conhecer pessoas, fazer até amizades quem sabe e bater papo.

É muito legal saber que os Pets e funcionários de estações do metrô que você passa sempre, começam a te conhecer pelo nome, começam até mesmo a conversar contigo durante o trajeto de saída da estação, ou até o momento que o metrô encosta para o embarque.

É muito bom isso.

A galera te zoando quando teu time perde, ou por alguma coisa e o cotidiano os colocou no caminho. rs.

Motoristas de ônibus que já te conhecem e até mesmo pessoas que pelo horário já entraram na condução várias vezes contigo e um belo papo começa com uma simples ajuda para atravessar uma rua, ou por uma espera no ponto de ônibus.

Hoje mesmo na vinda para o trabalho, conversei com uma senhora super agradável! Conversamos durante todo o trajeto. Até que quando eu me preparava pra levantar me despedir e descer ela disse:

Eu desço no próximo.

Eu disse: eu também.

E aí conversando, percebi que ela vinha para a mesma rua que eu! Ainda brinquei: A legal! Assim a senhora já me ajuda a atravessar... rsrsrsrs.

Atravessaria para a mesma direção, mas seguiríamos caminhos opostos devido à altura da rua que cada um ia.

Ela disse: valeu a conversa né? Eu disse: Lógico! Não só pela ajuda, mas por toda a conversa. rs.

E valeu mesmo!

Com certeza, é mais uma pessoa super simpática no ciclo.

É lógico que nos encontraremos outras vezes com certeza e conversaremos mais.. E tudo graças ao cotidiano!

Agora é motivo pra ficar esperto. se estiver fazendo alguma coisa errada, pode crer que alguém que te conhece vai ver!

Rsrsrs.

Quando voltei das férias e fui almoçar num restaurante que almoço várias vezes, o garçon. Nossa andré, tava sumido!

rs. acaba sendo legal... Chama a atenção. Po e quantas pessoas ele não deve atender no dia? rsrsrsrs.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lei de Murphy parte II

Faaaaaaaaala galera!

É.... tem dia que de noite é assim....

Hoje já começou. E olha que estamos nas primeiras horas!

Primeiramente. Levanto, tomo meu banho para vir trabalhar.

Estou eu, quase no final porém ainda todo ensaboado eis que....

Acaba a água!

Exatamente. To sem água em casa nesse momento e só espero que tenha voltado até eu retornar.

Certo.

Saio, tomo meu café e vou para o metrô, que felizmente não entrou em greve hoje como se falava muito ontem.

Desço na estação República como sempre...

Vem um cego sem noção atrás de mim e quase enfia a bengala entre minhas pernas.

Fiquei P da vida porque o cego não podia ter saído daquele jeito e reclamei: Além de cego é sem noção com essa merda de bengala!

O jovem cidadão que tava indo buscar o cego achou que eu tava xingando ele. Mas na verdade eu tava era xingando o cego!

Ei você que é cego, ou que ficou cego, presta atenção numa coisa:

Antes de você pegar uma bengala e sair pela rua, aprende a usar essa merda pelo amor de Deus!

Tá se você não tem um curso de orientação e mobilidade perto da sua casa, pelo menos quando você começar a se virar mais ou menos bem, procura fazer um, porque é importante. eu mesmo aprendi algumas técnicas legais.

Mas gente é sério!

Assim como você tem gente na rua dirigindo sem ter a mínima condição, tem cego usando bengala sem a mínima noção. Estabanados, atropelando todos que estão pela frente e andando de forma não só pondo em risco as outras pessoas, como a eles mesmos.

Quer ver uma coisa simples?

Outro dia eu estava andando para o metrô e um cego no sentido contrário.

O bom senso e tudo que aprendemos dizia que eu deveria sair.... pois a a parede estava à minha esquerda e a mão correta é a direita..

se ele vinha no meu sentido contrário, logo a parede estando à direita dele, eu deveria sair e deixar com que ele seguisse na sua própria mão..

Exatamente. A gente tem organização de trânsito também rs.

Então assim fiz.

Ouvi a bengala dele, dei os 3 toques de alerta que mostram que tem outro cego, saí e dei o toque com a bengala, pra indicar que a mão dele que é a certa já tava livre pra ele seguir.

O cego sem noção, joga pra esquerda, totalmente fora da mão e vem pra cima de mim......

Eu acho que aquele além de cego tinha algum outro problema. Ou era surdo, já que não ouviu minha bengala, ou era realmente sem noção, ou não tem senso de direção.

Tentei conversar com ele. Só que ele era super ignorante ao ponto de eu jurar que se eu ouvir que é aquele cego que está vindo no sentido contrário meu e pela contramão que eu vou deixar bater!

Quem sabe depois que ele bater contra 1,78 de altura e 110 quilos ele se interessa em aprender a nãoa ndar na contramão!

Então gente. É um papel educativo que estou me propondo a fazer. rsrsrsrsrsrsrs.

Então para finalizar, estava eu acompanhado de um jovem cidadão do metrô.

Andando, logicamente em um ritmo rápido. Primeiro que eu não sei andar devagar. segundo que estava vindo trabalhar.

Até que alguém chama o funcionário do metrô. Eu achando que iam pedir informação:

O funcionário olha até que a moça fala: Anda mais devagar com ele! Você tá indo muito rápido! Eu: Não... Só me faltava essa!

Eu precisando chegar rápido no trabalho e param o funcionário que me levava pro ponto de ônibus pra isso!

Ele: Senhora, ele tá indo trabalhar. Até que eu disse: Cara, continua no teu ritmo. Não para pra argumentar porque é pior e vai me prejudicar.

EIta gente, deixa o cego andar, caramba!

a moça, evidente ficou P da vida comigo porque ela estava me ajudando e eu ainda falando pro cara ir rápido;

Gente.... Mas vamos lá.... Não vou dizer agora que ela estava me atrapalhando. ela estava me ajudando...... Me ajudando a chegar atrasado no trabalho, ué!. kkkkkkkkkkkkkkk.

Por enquanto é isso. Termino esse post esperando que nada mais dê errado!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Troca de ângulo pelo qual a cegueira é vista!

Faaaaaaaaala galera!

Hoje vou falar de uma coisa que julgo interessante.

A troca de ângulo pelo qual a cegueira é vista.

Isso pode acontecer de várias formas.

As formas positivas, as negativas e as engraçadas.

Positivas.

A pessoa conhece um cego e vê que ele tem a vida normal e o preconceito cai, fazendo com que ela veja o cego como pessoa normal.

Negativa: Uma das negativas que pode acontecer é:

conhecer o cego, ver que é uma pessoa normal, até querer levar um relacionamento afetivo adiante.

No entanto an convivência, ao ver que estarem como um casal na rua as pessoas olham, isso acaba chamando a atenção e a pessoa ao se deparar com aquilo não consegue encarar numa boa.

Não dá pra julgar negativamente. A pessoa as vezes achou que encararia, mas descobriu na prática que não era bem assim.

Agora, como não poderia deixar de ser, as questões engraçadas!

Bom. Há muito tempo eu sou uma pessoa muito ativa na Internet. Passei pela época dos chats, fui usuário do ICQ e do IRC, fui na onda das redes sociais, frequentei chats, hoje utilizo Twitter, Facebook, Orkut, Yubliss, além de instant messengers. Rs.

Logo, muitas pessoas com as quais tenho amizade hoje, conheci por meio da Internet. Até chat por telefone eu já estive e não foi em um. rsrsrs.

Eu sempre gostei de comparar a Internet com outros tipos de comunicação rs.

Mas então. Vou falar de uma situação engraçada.

conheci uma menina. E independente de onde eu conheça a pessoa, se a conversa flui eu logicamente conto que sou cego.

A conversa continuou, não houve preconceito, começamos a nos comunicar por telefone, Orkut e tal.

Até que decidimos nos conhecer..

Beleza.

Próximo ao metrô Armênia. Iríamos ao shopping, marcamos o lugar na estação.

Estou eu esperando no local e nada dela chegar...

Ligo e ela diz: Já to chegando aí!

daí pensei: Vc tá perdida? Será que saímos por locais opostos?

Não... Pera aí que já chego. Acho que não...

Não entendi nada.... Depois ela me liga:

Eu to nervosa!

Aí eu falei... se você não vier até aqui eu não vou ver onde você está!

Ela: É verdade!

Chegou e me cumprimentou.

ela tremia mais do que a terra naquele terremoto no Chile.

Fomos en direção ao shopping.

O que acontecia?

Quando ela olhou e me viu, se deu conta de que não sabia como ia agir e ficou nervosa, travada no mesmo lugar! rsrsrs.

Ela pensando no que fazia. Andava de um lado pro outro pra tentar pensar..... E isso depois ela me contando e eu rindo.

Ela disse: Po ir embora e deixar ele aí é sacanagem! Isso eu não vou fazer. Mas faço o que?

Ela me guiava, mas não conseguia relaxar em nenhum momento! rs.

E eu achando a situação engraçada. Ela não tinha se dado conta. Eu tentando conversar, tentando ver o que fazia. rs.

E ela com medo de eu esbarrar em algo, com medo sabe de que. rsrsrsrs. Não parece mas é normal gente. Quando alguém guia a primeira vez, tem insegurança. Mas ela só se deu conta quando me viu! rsrsrs.

Até que dentro do shopping, ela vira e fala:

André! se você quiser alguma coisa tipo ir no banheiro e tal, você fala tá? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Até parece que não falaria né? kkkkkkkk. Eu nunca mais deixei de zoar ela por causa dessa pérola! kkkkk. Depois até ela deu risada porque ela não tinha se dado conta do que tinha feito e falado kkkk.

É normalmente a gente fala isso pra criança pequena. kkkkkkk.

Aí fomos ao MCDonald's.

Aí foi a parte melhor.... Lotado.... ela já nervosa por me guiar em lugares normais..... Imagina. rsrsrsrs.
Fizemos o pedido...

Na hora de pagar, tamanha fila!

E eu ia usar o cartão de débito.

A funcionária que pegou o pedido, vendo a fila e o estado em que minha amiga estava, falou: Putz.... A gente pode ajudar como? Deixa eu ver.... Ele não pode falar a senha não?

kkkkkkkkk. Po eu acho que essa funcionária tava querendo um pouquinho demais né? kkkkkkkkk.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ofensas ou não?

Faaaaaaaaaaaaaaaaala galera!

Esse post é meio confuso.

Afinal eu ofendo ou não. Não ofendo. Ou será que sim?

Tudo depende do ponto de vista. Mas eu sou cego. sei lá.

Bom, vou logo dizer o que eu to querendo.

Quem lida com o público sabe que podemos nos deparar com vários tipos de situações.

Uma vez no trem. Não tinha lugar.

eu normalmente não peço, também não curto a ideia de que alguém o faça. em fim: estava posicionado no trem tranquilamente.

daqui há pouco vem um sujeito com a voz grave, brava.

A! Não tem lugar pra você, pera aí! Tomou a bengala da minha mão antes que eu pudesse fazer qualquer coisa e eu já pensando: Ai minha bengala! Se ele quebra eu to fodido! Era a minha preocupação.

O que ele fez com a minha bengala na mão eu não vi, mas daqui há poucos segundos ele vira e fala: Pronto jovem! Sente aqui. Vocês teriam coragem de dizer que já iriam descer, ou que não precisava? Bom eu não tive. kkkkk. Afinal minha bengala ainda tava na mão dele e..... Bom... Sei lá o tamanho dele, força e tal.... É melhor sentar rs.

Agora o mais comum:

As pessoas se sentirem ofendidas pelo simples fato de você não aceitar que elas te atrapalhem. Quer dizer: Te ajudem... Ou melhor: Sei la´.... Elas acham que estão te ajudando.

Em fim:

Sei lá.

Tudo bem que tem pessoas cegas que são orgulhosas, tratam mal quando ajuda é oferecida, mas tem pessoas que não adianta a forma que você fale. Elas se sentem ofendidas e pronto.

Outro dia no metrô.

quando saio para o trabalho, meu percurso de metrô é de apenas duas estações.

Então, acho mais prático do que me sentar, me posicionar no corredor, mais voltado para a porta que abrirá na minha estação de destino. Usando o corredor como o metrô indica, no entanto já com deslocamento fácil para a porta.

Assim fiz isso numa bela manhã.

Uma senhora chega: senta aqui!

Tento explicar com toda calma:

Senhora, muito obrigado. Mas é que eu já vou descer.

De qualquer forma muito obrigado pela ajuda.

Escuto de repente: a é? Então fica a vontade! A gente quer ajudar e ainda n quer? Se vira aí!

Nossa! A gente vem com toda boa vontade.
E eu aprendi que não adianta tentar argumentar. se você é cego, anda sozinho há pouco tempo e passar por uma situação dessas saiba que:

1. Se você for ficar chateado toda vez que isso acontecer você não vive.

2. se você argumentar é pior. só analise se você realmente não falou com um tom ríspido para tentar melhorar ou o que seja.

Mas o fato é que eu fiquei ouvindo durante o percurso inteiro. Isso se ela não continuou falando depois que eu desci.

daí ela: É por isso que eu não ofereço ajuda! Nossa! A gente tem a educação antiga de sempre ajudar.... aí eu penso:

Gente, mas que drama! Caramba tudo isso porque eu não sentei! Eu até agradeci! Não to entendendo nada!

E até agora não entendi mesmo.

Agora essa aconteceu ontem:

Por mais corrida que esteja minha vida, quando alguém tenta me ajudar utilizando um procedimento errado eu procuro parar, explicar com jeito. Tipo: se eu te der um toque você não fica chateado? E tento explicar da melhor forma.

A história do segurar no braço vai voltar... Porque é ela que normalmente se repete.

Muitas pessoas, quando você explica até falam: Po, desculpa! Eu não sabia. daí eu digo: Po normal! A maioria não sabe. Mas cabe à gente explicar.

E tudo termina da melhor forma.

Mas calma: Não é sempre assim.

Já expliquei aqui que, ao tentar guiar um cego, você deverá passar na frente dele e deixar que ele segure seu braço, na altura próxima ao cotovelo. Alguns poderão preferir o ombro.

Tudo bem.


Mas devido a idéia de proteção, ao ver um obstáculo, principalmente degrau as pessoas querem tentar segurar. Não estando muito em cima ainda dá tempo de você parar e segurar.

é engraçado que as pessoas seguram e falam: Pode ir!

Aí vai o tato: Senhor, na verdade.... É que como o senhor está segurando o meu braço eu não tenho referência, inclusive para descer o degrau que tem aqui na frente.


É bom ou melhor eu pelo menos acho interessante você passar pra pessoa inclusive que você conhece bem a situação que está ali, pra ficar mais fácil a compreensão.

Muitos compreendem.

Agora vamos ao que aconteceu ontem: De vez em quando você passa por uma dessas.

Desço do ônibus.

Mas de boa. Costumo pegar no mesmo lugar e normalmente já não tenho problema, já que muitos já me conhecem por viajar sempre juntos e já sabem os procedimentos. daí não passo tanto por tentarem me segurar na hora de sair do ônibus e tal.

Desço no ponto próximo à minha casa.

Pouco a frente tem um degrau.

O motorista de um ônibus que estava parado enquanto eu passava, pede para uma senhora que estava próximo, verificar se eu precisava de ajuda. Realmente eu ia precisar. Tinha uma rua para atravessar.

A abordagem. O degrau próximo e ela simplesmente segura no meu braço.

Parei e repito aquela frase que falo pelo menos umas 10 vezes no dia.
Senhora. teu um degrau aqui na frente e como a senhora está segurando no meu braço eu não vou conseguir descer. Podemos fazer o contrário? A senhora passa na minha frente e eu seguro no seu braço? Fica melhor. Inclusive eu vou precisar de ajuda para atravessar a rua.

A moça soltou meu braço.

Procuro o braço dela e... Ué, cadê?

Continuei andando... daqui há pouco o motorista:

Ué, dá pra ele ir sozinho?

só escuto a resposta: Ah! Ele me xingou ainda!

gente..... Bom.... Não entendi...

Gente... Será que com essa reforma ortográfica que entrou em vigor agora, alguma palavra da explicação acima virou palavrão e eu não sei?

Me expliquem por favor! rsrsrsrs. kkkkkkkkkkk.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Lei de Murphy

Faaaaaaaaala galera!

Hoje é um dia feito especialmente para me lembrar que a lei de Murphy existe e como ela funciona!

Primeiramente, tenho crise de Sinusite que atacou de uma forma insuportável às 3 da manhã.

Procuro um remédio. Lembro que esqueci de comprar.

E eu sou mestre em só lembrar de comprar o remédio durante a crise, usar e perder o vidro logo que ela passa.

E não foi diferente! Procurei o remédio que comprei da última vez. Achei? Lógico que não. Pra variar eu perdi o vidrinho.

O jeito é procurar uma boa posiçãoa té aliviar.

Depois de muito tempo o congestionamento alivia. No entanto, celular desperta. Hora de levantar e ir trabalhar!

Não acredito.

Tá. Tomo meu banho, me arrumo, me preparo para sair de casa e... Pancada de chuva!

Bom, é esperar diminuir. Bengala e guarda-chuva não foram feitos um para o outro.

Por que isso?

bom, você segura o guarda-chuva em uma das mãos e a bengala na outra.

Uma vez fiz isso e já ficava pensando na hora de atravessar. com que mão eu seguraria no braço de quem fosse me ajudar a atravessar.

Mas mesmo assim usei.

Só que daí o guarda-chuva prendeu no galho de uma árvore. Quando fui tirar, o galho balançou e a água veio toda em cima de mim. Facilmente descobri que sem o guarda-chuva eu me molharia menos!

Então por isso eu nesse caso precisaria esperar ver se achuva diminuía. Se não eu teria que tentar um outro improviso... Capa, jaqueta de couro e boné pra proteger a roupa e a cabeça, sei lá....... é uma grande questão de raciocínio. rs.

Na quela loteria se a chuva passaria, diminuiria ou se eu teria que partir para o grandioso método "Vire-se do jeito que dá", rs, esperei.

A chuva diminui.

Saio e vou tomar café.

Na hora que estou me preparando pra pagar e sair da lanchonete, outra pancada de chuva.

Já tinha saído de casa. Não havia outra coisa a fazer.

Esperei.

15 minutos depois a chuva diminuiu.

Vou para o Metrô.

Chegando na escadda para entrar na estação vem uma moça e me segura.

Moço. Pra esquerda.

Senhora: deixa eu te explicar. Se alguém me segurar eu não consigo andar. Perco a referência.

Ela me segurava bem na cintura.

Primeiro lance de escada.... Pra esquerda.... ela me segura de novo.

Eu tá. Só que a senhora continua me segurando.

E eu sem poder andar, parado no meio do caminho, um monte de gente querendo descer e eu não podia sair porque a moça me segurava... Até que ela disse: A tá. E me soltou.

Ufa, finalmente!

Nessa altura eu com a bengala tentando me relocalizar de onde eu estava, porque minha referência a essa altura já era.

Me localizei, desci e fui na direção da catraca.

Passo e vem um funcionario me auxiliar no embarque.

chegando na plataforma... cadê o metrô? Nada!

Parado devido a um problema na estação Barra Funda.

Continuo na minha. afinal, já aprendi que nunca devo fazer aquela pergunta: O que mais pode dar errado?

Pela minha experiência de vida, todas as vezes que perguntei isso acabei obtendo resposta. Por esse motivo resolvi continuar quieto.

No entanto, a resposta veio mesmo sem eu perguntar. 15 minutos chega o metrô e, passou direto pela estação Marechal!

Provavelmente eles devido ao problema que deu devem ter feito como é no horário de pico no fim da tarde. algumas composições passam direto por certas estações.

Fui, saí da estação lotada, embarco no ônibus e na saída o cobrador se desloca e cisma que tem que me segurar na hora de eu descer os degraus do ônibus! Mas quando será que as pessoas vão conseguir entender que se segurar eu não consigo descer? Pensei eu.

vou repetir mais uma vez. se quiserem ajudar, passem na frente do cego e deixem que segurem seu braço. No caso de descida de ônibus ou saída da condução, alguns, como é o meu caso, podem preferir não segurar e ter a referência da bengala.

Venho na direção do trabalho e... chuva aperta. Ainda bem que estava perto!

E pra piorar tudo, talvez alguns vão achar que eu inventei isso tudo, já que toda vez, não sei por que eu posto aqui e o blogger fala que eu postei em um horário que dá uma diferença de pelo menos 3 horas antes da hora que eu realmente postei!

Deve ser alguma configuração que eu devo ter esquecido de mexer e não tive tempo de modificar. Afinal eu costumo digitar os posts normalmente correndo, devido à questão do tempo rs.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Viajando na maionese parte II

Faaaaaaaaala galera!

Vamos ao viajando na maionese parte II, contando duas situações muito interessantes.

As referências do cegos são imaginadas de várias formas por quem enxerga.

Algumas são facilmente explicadas. Outras, por mais que tentemos explicar como sabemos que estamos em tal lugar, é fácil saber, mas difícil explicar. rs.

Bom a primeira história aconteceu num ônibus, quando eu vinha para o trabalho.

Chegando no ponto onde eu desceria, levantei do banco onde estava sentado, dirigi-me ao cobrador e avisei que desceria no próximo.

Nesse momento, começa uma discussão dentro do ônibus.

Mas como ele sabe que chegou no ponto dele? Será que ele conta os pontos. O outro. Acho que não. Porque se o motorista não para em algum... Quando eu ouvi isso pensei. é, esse tá no caminho certo. daí a moça:

Ué como ele faz então? O outro não sei... Só se ele presta atenção nos movimentos do ônibus. curvas, daí ele deve ter mais ou menos o mapa na cabeça do trajeto que o ônibus faz... Aí eu pensando. è, bem inteligente!

A moça: A mas não é possível! Será que tem como? E eu querendo rir. O Cara. Não sei. Talvez não seja isso. só me passou pela cabeça... Ué mas como será então?

Agora é engraçado que a discussão rola meio que. Tipo... Não dá pra entender.

A discussão seria muito menor com uma atitude bem simples. Me perguntar. rs.
Claro. Entendo que algumas pessoas não conseguem lidar com a situação e ficam com receio de perguntar. Mas o que eu acho engraçado é que conversam sobre o assunto naquela de: Não vou perguntar porque não sei a reação. Vamos só deduzir entre a gente. Mas falam alto dentro do ônibus como se o cego também fosse surdo e não estivesse escutando! rsrsrs. Olha a contradição!

A mas deixa eu então desvendar.

Na verdade com o tempo que fazemos determinado trajeto, desenhamos na mente um mapa. Isso em qualquer lugar. Rua, dentro da nossa casa, ambiente de trabalho.

Evidentemente que com uma condução será assim também. Daí você só precisa prestar atenção para acompanhar o trajeto feito com o mapa que você tem.

Ou seja o senhor embora não estivesse seguro disso, estava certo.

Agora em casos de mudança de trajeto por fuas fechadas e tal, ao perceber a mudança existem duas situações. Se for numa região que você conheça bem, como por exemplo onde mora e você consiga identificar em que rua o ônibus entrou, beleza. se não, ou mesmo que você identifique saiba que haja mais de um caminho possível e que te deixará talvez não no mesmo lugar, porém próximo, é conveniente perguntar ao motorista o que ele vai fazer. assim como qualquer pessoa faz. rs.

Como sempre, deixo a mais engraçada para o fim.

Minha admissão no trabalho. Comecei a coletar informações do tipo: Onde fica o ponto de ônibus para eu voltar, se é mais rápido eu ir de ônibus ou Metrô, visto que vim de metrô e caminhei uns 15 minutos até chegar.

Daí um recém colega de trabalho, que hoje é amigo, disse:

Eu vou contigo até o ponto. daí você aprende.

Como ele estava me guiando, peguei o caminho só que por não estar usando a bengala rastreando não achei uma referência que pudèsse me fazer notar que cheguei, ou que estava bem próximo. sabia que atravessava e caminhava um pouco, mas ainda não dava pra mentalizar a distância com apenas uma vez. Hoje eu sei. Foi só ir a primeira vez sozinho que localizei a referência que precisava.

Mas em fim:

Comentei com ele isso.

No dia seguinte ele chega todo feliz:

André! achei a referência pra você.

eu pensando.. Ai meu Deus!

Então... É o seguinte:

Quando você atravessar, vai caminhando na direção. conta 72 passos que você já vai estar no ponto....

Eu não me contive... comecei a rir...

Cara, e vc acha que eu ando na rua contando passos?

Ele respondeu.. Po mano! Tive tanto trabalho pra contar os passos!

Eu até hoje imagino a sena.

Ele indo, contando, perdendo a conta, voltando, contando de novo...

Sem contar que o passo dele não é necessariamente igual ao meu né? rsrsrsrsrsrs.

Gente, volto em breve!

Tchau!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cegueira não tira individualidade

Faaaaaaaaala galera!

Em primeiro lugar, agradeço aqui à todos os amigos que sempre dão apoio ao blog, visitando, comentando e aqueles que nos encaram como pessoas normais.

Alguns chegam até ao ponto de copiar algumas características.

Tenho uma amiga que está tão interada em saber como é o cotidiano do cego, que já começou a não ver a padaria da rua barra Funda quando está dirigindo e agora, no último domingo, confundiu um boteco de esquina com a padaria.

A mas pelo menos ela ainda está vendo o trânsito. Isso é legal.

Alias, farei uma campanha para que consigamos achar um GPS para ela. calma. Mas não poderá ser simples. Tem que ser um GPs que evite que ela vire para a esquerda quando ele aponta para a direita. Já existe?

Então é assim. Eu estava falando da questão da individualidade.

Resolvi postar isso depois de falar com um jovem cidadão do Metrô que quis tirar algumas dúvidas. afinal existe o treinamento, mas existem situações práticas que o treinamento não consegue passar.

Exemplo: Corrimão em escadas.

Alguns cegos preferem usar, colocar a mão nele antes de entrar na escada rolante e tal. Eu, já prefiro não utilizar, tendo como guia ou o passo de quem está conduzindo, ou, se estiver sozinho, a bengala.comento agora 2 fatos muito interessantes:

Certa vez eu comentei com uma amiga que os lugares que favorecem mais o cego e que normalmente as pessoas procuram para morar são aqueles que tem comércio e condução perto. Normalmente isso serve como um critério bem alto na escolha.

Perto de Metrô no caso de são Paulo, ou perto de locais onde se tenha várias opções de ônibus.

Depois o comentário que eu fiz.

Eu gosto muito de morar aqui no centro de São Paulo.

Putz, eu não quero sair do centro.

Eu quero morar sempre perto de metrô e se um dia eu sair de onde eu to, com certeza será nessa região ainda do centro que eu quero morar. Não gostaria. Lugar perto de metrô é sempre bom. Mas se eu tiver que optar entre um local perto de metrô na zona Leste, ou Norte Ou Sul, eu ainda prefiro o centro.

Aí, num determinado momento eu escuto ela passando a informação para outra pessoa.

Bom, por exemplo: eu to aprendendo muita coisa: quer ver.. sabiam que o melhor lugar pra cego morar é no centro?

Putz...... Calma... Menos.... Eu, andré, prefiro o centro. Mas tem cegos que adoram a zona Leste ou outras regiões... Menos...

A outra situação foi perto da minha casa.

Existem vários caminhos para se chegar no metro. Pedi para me ajudarem numa esquina a atravessar a rua.

Virei na próxima e a pessoa me questionou: Outro dia um sego me pediu ajuda para atravessar sentido metrô mas em vez de virar aqui ele subiu reto na rua.

Sim... Ué mas como? Por aqui não é melhor?

Eu vejo sempre você e mais alguns virem por aqui... Bom.... É melhor para nós, mas talvez não pra ele.

Mas por que? Bom, eu só posso falar por mim. Por que ele acha o outro caminho melhor, só ele pode responder. Eu acho que tem menos obstáculo e tal... Mas ele pode ter motivos para preferir o outro caminho. sei lá. Ou por desconhecimento de outros, ou preferências mesmo.

Então galera, nunca se esqueçam. cegos, cadeirantes, surdos, também tem individualidade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cegos não são iguais

Faaaaaaaaala galera!
Hoje vou falar sobre duas coisas.

É interessante como as pessoas vêem uma certa igualdade de um cego para o outro. Não é raro, aparecer tipo 2 cegos totalmente diferentes fisicamente e alguém perguntar se são irmãos.

Sei lá...

Vou contar uma.

Sábado passado, rolou aqui em São Paulo a Reatech.

É uma feira de tecnologia voltada para pessoas com alguma deficiência. aliás o pessoal adora usar esses termos.

Deficiente, Portador de deficiência.. Preparem-se... Vem um outro termo que é o mais fresco de todos.... Portador de Necessidades especiais.

Aliás hoje mesmo pensei:

Várias vezes, quando me direciono à porta para descer do ônibus, o cobrador avisa ao motorista:

Especial descendo no próximo...

Hoje pensei.... Putz! caramba! Agora que me dei conta que quase todo dia sou chamado de pastel de feira!

Sim... Toda feira aqui em São Paulo tem a barraca de pastel e tem dentre as variedades o especial!

Pior que tem um agravante nisso né? Muita gente come o especial... Não, eu não! O pastel.... Olha como fica grave eu ser chamado de "especial todo dia"!

Gente, quando eu for na feira agora e alguém do meu lado na barraca de pastel pedir um especial, acho melhor eu sair correndo!

Ou perguntar primeiro se o cara por acaso é motorista ou cobrador de ônibus. se for é mais um motivo pra eu me preocupar... sei lá, né!

Mas tá... Voltaremos a Reatech. Lá são encontradas novidades em equipamentos que auxiliam cegos, surdos, cadeirantes etc no seu dia-a-dia.

Então, encontra-se vários por lá.

Estava eu com 2 amigos cegos do rio no metrô a fim de ir para essa feira. No metrô encontrei outras pessoas conhecidas..

Ao chegar na Sé, na transferência para o metrô Jabaquara escutamos o seguinte comentário:

Ué mas aquele grupo não acabou de sair desse metrô?

rsrsrsrs. Provavelmente algum outro grupo de cegos passou naquele momento, mas como na cabeça das pessoas todos são iguais... rs.

O pior é quando acham que outro cego faz a mesma coisa que a gente faz. Tipo: Já me perguntaram: Você é Advogado? Não, por que? É porque ontem eu encontrei um amigo seu... Ah, outro detalhe... todo cego é amigo... Ainda tem essa... você pode nem conhecer, mas as pessoas acham que vocês se conhecem e são amigos. então... É que ontem eu conheci um amigo seu e ele é advogado.

Putz...

Certa vez um amigo meu conta que, numa esquina, aparece uma pessoa e oferece ajuda para atravessar a rua.

Amigo, você quer ajuda? Sim quero. Olha, eu não ia te oferecer ajuda não. É que semana passada ofereci ajuda a um amigo seu e ele me tratou tão mal!
Ele responde: ah, não liga pra isso. É só não generalizar... semana passada, por exemplo, um amigo seu me ofereceu ajuda para atravessar e no fim tentou me assaltar... Mas nem por isso eu neguei sua ajuda.. O cara ficou furioso... Que história é essa rapaz? Amigo assaltante, eu? a não amigo desculpa... Foi mal... É que como o outro que foi grosso contigo só porque não enxerga é meu amigo, e aquele que me ofereceu ajuda também enxerga como você, achei que era seu amigo! kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Disse que depois até o cara se tocou e riu.

Esse post termina aqui.

Logo logo eu to de volta.
Até mais!

sexta-feira, 26 de março de 2010

O cego sabe pra onde vai.

Parece óbvio isso que eu to falando. Mas nem todos pensam assim.

Sério.

Perto de onde moro existe uma instituição de cegos.

Isso pode se tornar um pesadelo.

Além de ter atenção dobrada, nesses casos ela precisa ser redobrada para que você não se perca.

Motivo:

Todo mundo quer te jogar dentro da instituição a qualquer custo!

Ainda mais que eu trabalhava lá, logo que mudei para São Paulo.

Vira e mexe eu caminhava para a padaria pra tomar café e o pessoal: Ei, já passou! volta!

Aí eu respondia: Não passei... Passou! Ai que inferno era!

Teve uma que teimou tanto que eu falei: Vou acreditar que eu passei se você me responder corretamente uma pergunta: Pra onde eu to indo?

A, não tá indo pra Laramara? Errou! tchau. Obrigado. kkkkk.

Até domingo o povo cismava em tentar me jogar dentro da instituição... que inferno!

aí eu dizia: até hoje você quer fazer eu trabalhar? rs.

Hoje não trabalho mais lá e demorou para o pessoal acostumar que eu moro naquela rua.

O problema é que teve gente que aprendeu isso até de mais.

numa Sexta-feira eu como de costume, me preparava pra ir tomar aquela gelada que é de lei nos fins de semana.

Vou para o bar.

Como o ônibus que eu peguei quando saía do trabalho me deixava há umas duas quadras depois e o que me deixaria na rua do bar poderia demorar, eu fui nesse mesmo.

Entrei na rua onde moro e desci por ela. Na próxima eu viraria, pois era a rua do bar...

É eu tentar virar... ei! é pra lá!

A é uma outra mania que as pessoas tem... quando querem nos ajudar a desviar de algo... Pra lá! Po pra lá pode ser pra tanto lugar... direita, esquerda, reto...

Fingi não escutar. Não satisfeito o senhor vem correndo na minha direção... Ei amigo é pra lá... Não, não é pra lá, eu vou pra cá...

Eu te conheço! Você mora pra lá! sim... Eu concordo, eu moro pra lá, mas agora eu vou pra cá!

Mas é pra lá que você mora... Tá senhor.... Vamos por partes:

Sim eu moro pra lá e disso não há dúvida. Mas como o senhor pode afirmar com certeza, que eu to indo pra casa? O que te dá essa certeza?

Eu não estou indo, pra casa, como já tentei explicar.

Ele sai indignado porque sei la´... Na cabeça dele eu tinha que ir pra casa.

sim... fui na direção do bar. Várias pessoas em frente à faculdade que tem lá perto orientando com o seu perigosíssimo direita esquerda.
Digo perigosíssimo porque. as vezes tem gente que fala: Vai pra direita! Mas esse direita na verdade é esquerda. aí você vai pra direita e vai exatamente de cara no obstáculo que ela queria desviar. Ou porque ela se confunde, ou porque ela está de frente pra você e quando ela fala direita é a direita dela...

Na dúvida, quando é uma pessoa muito conhecida eu sigo.

Quando não, eu continuo reto esperando que a bengala detecte o obstáculo. É mais seguro. rs.

Eis que finalmente chego na porta do bar.

Logo um monte de gente próximo. localizo com a bengala a entrada e me preparo. Imediatamente sou empurrado: Vem por aqui! Mas moço... Levei um empurrão que nem deu tempo de nada falar...

Tento voltar e achar a entrada de novo... Não! Por aqui!

Mas moço... E levava um empurrão antes que eu pudesse explicar qualquer coisa.

E eu não querendo ser indelicado...

Acho a porta pela terceira vez pensando: Será que agora finalmente eu entro?

acho a porta e quando eu ia levar o empurrão eu firmei o corpo e disse> Moço: Por favor... você poderia deixar eu entrar no bar?

As pessoas querem ajudar tanto que tentam até prever pra onde você vai!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tem Dia que de Noite é Assim

Um amigo as vezes me diz: tem dia que de noite é assim!

Lembram que eu disse no primeiro post que as vezes as pessoas tentam ajudar numa hora que você não precisa e acabam te atrapalhando arrumando um problema que você não tem?

Quando acontece uma coisa ou outra, mas tem um dia específico que a minha vinda para o trabalho eu sinceramente gostaria de esquecer.

Primeiramente. Todo mundo tenta fazer algo que nunca deve ser feito.... Segurar o cego.

Eu nunca vi! O Cego não tem equilíbrio, é aleijado, tudo ao mesmo tempo, porque querem segurar em todas as situações. rs.

Primeiramente, estou chegando no metrô. Tem uma farmácia, uma lanchonete e o muro está à minha esquerda. No final dele tem um paredão na frente...

Quando eu encontro esse paredão na minha frente eu tenho que chegar para a direita que ele recolhe e seguindo, mantendo esta nova parede a esquerda a escada do metrô está logo ali. Então... esta parede é a referência para que eu procure não errar e pegue o muro da entrada do metrô.

A parede está em frente...

Estou caminhando me guiando pelo muro, indo na direção a essa parede que estaria exatamente na minha frente.

Insistentemente uma moça vinha e me empurrava pra fora do muro...

Ela me empurrava, quando eu tentava voltar ela me empurrava de novo... eu tentava voltar e quando tentava achar o muro ela me empurrava pra fora de novo... Tentava e novamente ela me empurrava.

Eu não sabia mais o que fazer! daqui há pouco minha referência já era. Parecia que eu tava brincando de vai-e-vem... rs.

Até que uma hora eu disse:

Mossa! tem a parede aqui na frente e eu preciso bater nela!

A moça nada falou e não deve ter entendido nada. Ué... Por que ele precisa bater com a cara na parede, ela deve ter pensado.... não era a cara, era a bengala. que eu precisava bater.

Pelo amor de Deus gente: quando vocês verem que tem um poste, parede, árvore no caminho do cego, simplesmente digam isso. se ele continuar é porque aquilo que parece um obstáculo é exatamente o que ele tá precisando achar! rs.

Sim. depois da guerra com a parede, chega a escada do metrô.

Venho andando no meu bom ritmo.. a bengala acha o primeiro degrau. quando ia subir com ela para que eu pudesse calcular o meu passo vem um cidadão e, segura exatamente na ponta da bengala!

Aí eu disse: É hoje! Pensei....educadamente, pedi que ele soltasse minha bengala e vou eu fazer todo o procedimento novamente, para subir o degrau... Voltar, ir com a bengala, calcular e subir...

Gente é a bengala que o orienta o cego no passo que você vai dar. se você segura ele fica duplamente cego! rs.

Segurar o cego. essa que é a pior.

Intuitivamente as pessoas nada falam, e simplesmente seguram no braço do cego.

Isso tira a referência. Pelo menos no meu caso.

Se você faz isso na hora que to descendo ou subindo um degrau e principalmente num vão de trem e metrô você corre o risco sério de me derrubar. Pronto já dei idéia a quem quiser ser meu inimigo... Pronto! rs.

Tá... Subi no primeiro degrau e e vem a sequência de degraus pra baixo.

Quando a pessoa segura imediatamente, com uma certa distância do degrau, você ainda consegue parar e pedir: Poderia soltar meu braço, senão eu não consigo descer. quando a pessoa solta eu agradeço ainda, mas legal....

Nesse dia, quando chega na beira do degrau um cidadão tenta segurar meu braço. Foi por Deus. Parar o movimento não dava mais... A minha sorte é que quando ele deu um toque antes que segurasse e eu percebi o movimento e recolhi o braço pra que ele não conseguisse e desci o degrau... Já foi um malabarismo, mas a única manobra possível como um desvio brusco... Pior que quando eu desvio pra direita para que o cidadão não me segurasse, vem uma moça tentando segurar o outro braço!

E era o que tava com a bengala!

Não dava mais para parar, tava no meio da escada e eu tinha que desviar dos braços e calcular os degraus!

Eis que a moça indignada, depois de todo o sufoco fala: é, não quer ajuda né?

Po que injustiça! Eu nunca recuso ajuda. eu só recuso que me atrapalhe!

Mas beleza.. Segui meu caminho já que a mulher não queria ouvir nenhuma explicação. Eu ainda tentei.

Entrei no metrô, desci na República para aquele velho trajeto de pegar ônibus subindo a consolação.

Entro em um ônibus.

O cobrador diz: O banco à sua esquerda está vazio! agradeci e me dirigi à ele.

Vem um senhor e segura no meu braço.

Aí eu explico. senhor. desculpa, mas é que se você segurar meu braço eu não consigo ter referência pra sentar.

Maldita hora que eu falei isso!

Ele soltou o braço e segurou na cintura!

Desde então eu resolvi mudar a frase:

Já foi na hora. Moço. Se me segurar eu não consigo sentar... eu acho que assim fica mais fácil né?

Sim. Ele entendeu.

Esse banco era daqueles que tinha um degrau alto antes de chegar.

Então, daí vem o pior:

O próximo ponto seria o meu. Levantei do banco e ia descer o degrau. Medi a altura com a bengala e quando estiquei o pé e fiz o movimento de descida uma menina segura no meu braço no meio da descida!

Vai minha referência, equilíbrio e quase vou eu no chão. E ela... Eu senti o movimento dela quase caindo.... Lógico. ela não aguentaria meu peso de jeito algum!

Aí eu falei:

Moça, assim você quase me derruba! Ela disse: só quis ajudar.

Sim, entendo. Mas não faça mais dessa forma.

E como eu faço? Primeiramente pergunte se a pessoa precisa de ajuda.

Segundo ela te dirá o que precisa, mas basicamente se quiser guiar alguém você deverá dar seu braço para que a pessoa segure. Normalmente um pouco acima do cotovelo a pessoa segurará. Mantenha-se na frente da pessoa guiada e vai...

Tá... Acho que ela entendeu.

aí desço no ponto do ônibus.

Vou andando na direção da faixa para atravessar a rua:

Alguém me puxa e disse: Moço, senta aqui! Mas que raios, pra que eu ia sentar no banco do ponto de ônibus! aquela história... Cego não pode ser visto em pé.

Moço eu estou indo pra faixa vou precisar atravessar. Então pode ir que tá no caminho certo. Ta bom isso eu já sabia. mas é mais uma. Normalmente cego não sabe pra onde esta indo. rsrs.. Num outro post eu vou falar mais sobre isso.

chego na faixa. quando você está no meio de duas pistas você tentar explicar pra onde vai não é tão eficiente. As vezes você não fala a mesma língua, a pessoa não entende direito, tenta te levar para o lado errado e você para, explica de novo. Isso não é regra, mas as vezes acontece.

Com o tempo, descobri que a forma mais eficiente é você apontar a direção para onde quer atravessar. Não tem erro. A pessoa vai ver e pronto.

Então um moço já chegou.

Você quer atravessar? sim. Pra onde: aponto. Pra lá... Depois escuto:

Pra onde você vai? Fiquei preocupado. será que tem um cego tentando me ajudar? Acabei de mostrar.

Apontei novamente.

Vai continuar na consolação né? Subir oud escer... descer.

O cidadão me ajuda, agradeço e sigo meu caminho:

Ei amigo espera? a paulista é pra lá!

Não sei em que momento eu falei que ia pra Paulista. Ou eu to ficando louco, mas sei lá... E eu falei que ia descer. Pra paulista eu teria que subir. Mas...

bom no próximo post eu falo mais das orientações direita e esquerda e dessa história do cego não saber onde vai. rsrsrs.