O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Felizmente, ainda nos resta ao menos a solidariedade!



Faaaaaaaaaaaaala galera!

Ontem, voltava para casa após mais um dia de trabalho.

Quando desci do ônibus, caía uma chuva daquelas que nenhuma capa ou guarda-chuva protegeria.

Ainda bem que o ponto era coberto.

Resolvi esperar ali até que a chuva diminuísse um pouco e assim pudesse continuar meu caminho.

Enquanto aguardava pacientemente a chuva deixar eu voltar para casa, várias pessoas me abordaram perguntando que ônibus eu ia pegar.

Isso me felicita e muito.

Embora existam pessoas que nessas situações fingem que nem te viram...... opa.... Quem é o cego na verdade? Kkkkk., existem também aquelas dispostas a ajudar.

Conforta saber que num país onde temos o mínimo de acessibilidade, existe um povo que, apesar de toda a desinformação, procura sempre ajudar da melhor forma e mesmo não sabendo como, está apto a aprender. É. Tem as exceções. Aqueles que quando VOCÊ TENTA ORIENTAR AINDA FICAM COM RAIVA. RSRSRS. Mas felizmente é a minoria.

Nesse Brasil onde semáforos sonoros são raros, onde, diferentemente dos países de primeiro mundo, não existe nada que sinalize qual ônibus está parando no ponto. É. Eu já comentei aqui que no Canadá, cada ônibus que passa tem indicação sonora de que linha é e por onde vai.

Se por aqui não houvessem pessoas dispostas a nos ajudar a sinalizar um ônibus por falta de uma acessibilidade que poderia tornar isso desnecessário e, também, que nos possa auxiliar quando precisamos atravessar uma rua, o que seria de nós?

Claro. Não podemos dizer que está tudo bem e que não há nada a ser feito.

O ideal seria termos os semáforos sonoros pelo menos nas ruas e, que houvesse aviso sonoro nas conduções para não ficarmos jogados à própria sorte.

Ou azar, né?

Vai que você passa na rua num horário onde não tem ninguém por ali...... Rs.

Ou chega no ponto de ônibus e naquele momento não tem ninguém.... Já passei por isso e tive que parar todos os ônibus que passavam e perguntar ao motorista.

E numa dessas vezes eu já estava meio chapado e acabei dando sinal para um caminhão... Bom. Vamos pular essa parte, né? Rs.

E isso não é tão difícil!

Gente. Até as lotações do Rio já tem isso há anos.

O transporte oficial não tem. Mas o alternativo.... Bom.... Pelo menos quando eu morava lá, tinha.

Olha lá as combis. Vira e mexe eu escutava:

“Estação De BanGu, Rio da Prata, Viegas!”

Ou então:


“Aricuri, Estrada Do Campinho, Vila Nova!”

“Estrada Da Posse, Padre Miguel!”

Pera aí. Se o transporte alternativo tinha essa gravação ou então um doido gritando o trajeto lá de dentro o tempo todo, porque raios o transporte público não pode ter autofalante parecido?

O mais legal é que a voz da gravação era padrão.

A mesma voz que você ouvia em Bangu, escutava nas combis de Madureira, Santa Cruz, Campo Grande, etc. Rs.

Daria muito mais autonomia.

Mas como a mentalidade dominante aqui, principalmente pelos políticos acha que é muito mais importante dar gratuidade para os pobres coitados do que autonomia para que se use o transporte e se locomova nas ruas, até porque ainda tem a vantagem de que as atitudes assistencialistas geram mais votos, estamos aí.

Temos a gratuidade num transporte público o qual falta autonomia para usar.

Quantos ônibus adaptados para cadeirantes existem na sua cidade? Me respondam.

Legal né? O cadeirante pode andar gratuitamente num ônibus no qual ele passa constrangimento pra subir. Muitas vezes precisa até ser carregado no colo. Legal! Deve confortá-lo muito saber que não pagará por isso. Tanto quanto me conforta quando, estou no ponto de ônibus, e ao abordar alguém que tenha acabado de chegar para solicitar ajuda ou, quando sou abordado perguntando se necessito de ajuda e, ao indicar o ônibus que preciso, ouvir:

Acabou de passar!

Nossa! Como é legal não pagar por perder o ônibus e chegar atrasado por causa de uma acessibilidade que não tenho!

É muito mais legal quando, você não paga por ter perdido um ônibus o qual passou depois que a pessoa à qual você pediu ajuda foi embora por conta do ônibus dela já ter passado e esqueceu de te avisar. Aí você pensa que ela estava olhando, fica tranquilo até que outra vem e diz

Que ônibus você vai pegar?  Olha! Passou enquanto eu estava atravessando a rua! Kkkk.

Como é confortante saber que a gente não paga por isso!

E tudo isso por um simples aviso sonoro que não tem nos ônibus!

Se, além de todas essas dificuldades, não pudéssemos contar no mínimo com a solidariedade do povo, nem quero pensar o que seria de nós. Ou melhor: acho que não seria.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Invasão na vida do cego

Faaaaaaaaaaala galera!

Essa semana andei sumido do blog, eu sei.

Recomposição do fígado em detrimento do fim de semana passado, até bebi pouco nesse feriado... só 2 litrões na terça à noite e 2 na quarta, em fim.... Um amigo já me falou: Ah, bebeu pouco? Vai se catar!

Mas em vista do que eu to acostumado foi pouco sim.

Num dos bares que estive no feriado, certa hora um garçon chegou e falou. André. Tem um presente aqui pra você. Vamos ver se descobre o que é!

Quando coloquei a mão era a maquininha do cartão. daí eu disse: Ah, já sei! É um convite! Convite pra eu cair fora daqui que vocês estão querendo fechar. kkkkkk.

Ele deu rizada, paguei a conta, terminei a cerveja e saí. kkkk.

Mas eu vou falar nesse post sobre invasão à vida do cego.

Existem pessoas que confundem ajuda com invasão à vida ou à rotina do cego.

Não é tão incomum você pedir ajuda para alguém num momento em que precisa atravessar a rua, a pessoa se propõe a te ajudar e de repente, a pergunta:

Pra onde você vai?

certa vez, estava eu na AV são João, no corredor de ônibus depois de descer... Isso é só uma das vezes que eu to contando. Isso já aconteceu só comigo em várias situações. Ainda mais com outros.

Pedi ajuda. Poderia me ajudar a atravessar a rua?

sim.... Vou atravessar pra direita.

Mas, pra onde você vai?

Vou seguir reto na avenida.

A pessoa repete a pergunta: Pra onde você vai? Porra!

Eu pra não ser mal educado, fico quieto, finjo que naõ escutei e ao fim da travessia agradeço... Mas... que merda em!

Desde quando eu sou obrigado a falar pra onde eu vou? Que merda! kkkkk.

Tá beleza.... se a pessoa fala, como eu disse: Vou reto na avenida e ela responde: também to indo pelo mesmo caminho. Se quiser, vamos juntos.

Aí é diferente.

Agora: se coloque na situação.

Tá certo que a intenção das pessoas quando fazzem isso, na maioria das vezes é de ajudar. Mas pensa bem. será que você gostaria de ter todo tempo alguém querendo saber onde você vai? kkkkkk.

Além do que, existem cegos e cegos.

Imagina que aquele cego naquele momento, por exemplo esteja indo em alguma casa de tolerância que esteja ali perto.

Imagina a situação constrangedora do cego em te responder, na hora da clássica pergunta:

Ah, to indo ali no puteiro. kkkkkkkkk. E se ele for cara de pau e te responder na lata, como você vai ficar? kkkkk.


Ou de repente, o cego tá a fim de dar um 2 ou de usar uma farinha diferente e daí te responde:

Ah. to indo ali na boca pegar um baseado. Ou então. To indo ali na boca pegar um pó..... kkkkkk.

sigam o meu conselho:

Se você não conhece o cego, é bem melhor não querer saber pra onde ele vai, em!

Você pode encontrar um que esteja indo pro trabalho, pra casa, pro boteco... Mas também pode encontrar alguns que estejam indo pra cada lugar que vocês nem imaginam!

então gente: dêem só a ajuda solicitada e pronto... kkkkk.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ajuda a um amigo

Faaaaaaaaala galera!

Eu sei... Estou sumido daqui. Muita coisa para postar, mas sem tempo para escrever.

venho aqui desta vez solicitar ajuda para um amigo.

Trata-se do Fábio.

A casa dele pegou fogo e ele, esposa e os 2 filhos, perderam tudo.

Com eles, felizmente nada aconteceu. No entanto perderam material escolar das crianças, mantimentos, em fim: Saíram apenas com a roupa do corpo.

Eu sei. Também costumo desconfiar desses pedidos de ajuda que aparecem na Internet.

Mas desta vez, por ser uma pessoa que conheço, sei o que está acontecendo, resolvo divulgar.

Quem puder dar alguma força.

Vai. Não custa..... Um pouquinho que seja... Para eles é tudo nesse momento.

E se cada um puder ajudar com um pouco, com certeza será uma ótima ajuda para eles iniciarem a vida novamente.

Bom, seguem abaixo as formas de ajudar:

Banco : 104 – Caixa Econômica Federal
Agencia : 2198
Tipo : 013 (Poupança pessoa física)
Conta : 00010158-9
Fabio Scheffer Moraes
Pague Seguro ou Paypal
fabioscheffer@gmail.com

Desde já agradeço pela ajuda e também por não me xingarem já que eu sumo um tempão e quando apareço é com notícia trágica. ahaha.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Olha só que engraçado!

Faaaaaaaaala galera!

Hoje, na saída de casa para o Trabalho, aconteceram duas coisas interessantes, sendo uma engraçada.

A primeira, foi legal.

estava entrando no metrô, eis que um cidadão segura no meu ombro e pergunta se quero ajuda.

Como raramente acontece, ele perguntou você não quer?

Daí eu disse:

Bom. Já que o senhor está disposto a me ajudar, vamos fazer da forma correta?

Eu tinha explicado que ele não podia me segurar porque eu não teria referência dos degraus da escada do metrô.

Quando eu falei isso ele argumentou, mas compreendeu quando eu perguntei se poderíamos fazer da forma correta e procurou ouvir pra ver como seria!

Gente isso é legal.

Tem tanta gente que já fica com raiva, acha que você quer recusar ajuda e tal, por não admitirem estar erradas.

Eu até não necessitava da ajuda naquele momento, mas ele foi tão compreensivo e teve tanta boa vontade... rs.

Bom. Agora a parte engraçada foi no ônibus.

Olha, tinha uma passageira que eu tenho quase certeza que assistiu à reportagem do programa da Ana Maria Braga.

Explico porquê.

ônibus lotado como sempre.

Me preparava para descer.

Pedi que alguém avisasseao cobrador, que desceria no próximo.

Daí uma senhora....

Cobrador! Vai descer no próximo o espe........ Ou seja... Ela parou pra não dizer especial!

kkkkkkkkkkkk.

Mas é lógico. O cobrador, na hora grita para o motorista:

Especial descendo pela frente!

É... A coisa vai ficando cada vez pior.

Eu já falei.... Meu estado de alerta nas barracas de pastéu na feira já tem que ser alto.

Lógico! Vai que alguém chega na barraca e fala:

Quero comer um especial.... Po eu vou ter que sair correndo!

Como já disse no outro post né?

kkkkkk.

Galera, até mais!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nem tudo é mico e engraçado no cotidiano!

Faaaaaaaaala galera!

como vocês tem acompanhado, sempre posto nesse blog situações engraçadas, muitas vezes geradas pelo fato das pessoas quererem ajudar e não saber como.

Mas hoje vou mostrar um outro lado.

Quem gosta de conversar como eu, tem no cotidiano uma grande possibilidade de conhecer pessoas, fazer até amizades quem sabe e bater papo.

É muito legal saber que os Pets e funcionários de estações do metrô que você passa sempre, começam a te conhecer pelo nome, começam até mesmo a conversar contigo durante o trajeto de saída da estação, ou até o momento que o metrô encosta para o embarque.

É muito bom isso.

A galera te zoando quando teu time perde, ou por alguma coisa e o cotidiano os colocou no caminho. rs.

Motoristas de ônibus que já te conhecem e até mesmo pessoas que pelo horário já entraram na condução várias vezes contigo e um belo papo começa com uma simples ajuda para atravessar uma rua, ou por uma espera no ponto de ônibus.

Hoje mesmo na vinda para o trabalho, conversei com uma senhora super agradável! Conversamos durante todo o trajeto. Até que quando eu me preparava pra levantar me despedir e descer ela disse:

Eu desço no próximo.

Eu disse: eu também.

E aí conversando, percebi que ela vinha para a mesma rua que eu! Ainda brinquei: A legal! Assim a senhora já me ajuda a atravessar... rsrsrsrs.

Atravessaria para a mesma direção, mas seguiríamos caminhos opostos devido à altura da rua que cada um ia.

Ela disse: valeu a conversa né? Eu disse: Lógico! Não só pela ajuda, mas por toda a conversa. rs.

E valeu mesmo!

Com certeza, é mais uma pessoa super simpática no ciclo.

É lógico que nos encontraremos outras vezes com certeza e conversaremos mais.. E tudo graças ao cotidiano!

Agora é motivo pra ficar esperto. se estiver fazendo alguma coisa errada, pode crer que alguém que te conhece vai ver!

Rsrsrs.

Quando voltei das férias e fui almoçar num restaurante que almoço várias vezes, o garçon. Nossa andré, tava sumido!

rs. acaba sendo legal... Chama a atenção. Po e quantas pessoas ele não deve atender no dia? rsrsrsrs.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ofensas ou não?

Faaaaaaaaaaaaaaaaala galera!

Esse post é meio confuso.

Afinal eu ofendo ou não. Não ofendo. Ou será que sim?

Tudo depende do ponto de vista. Mas eu sou cego. sei lá.

Bom, vou logo dizer o que eu to querendo.

Quem lida com o público sabe que podemos nos deparar com vários tipos de situações.

Uma vez no trem. Não tinha lugar.

eu normalmente não peço, também não curto a ideia de que alguém o faça. em fim: estava posicionado no trem tranquilamente.

daqui há pouco vem um sujeito com a voz grave, brava.

A! Não tem lugar pra você, pera aí! Tomou a bengala da minha mão antes que eu pudesse fazer qualquer coisa e eu já pensando: Ai minha bengala! Se ele quebra eu to fodido! Era a minha preocupação.

O que ele fez com a minha bengala na mão eu não vi, mas daqui há poucos segundos ele vira e fala: Pronto jovem! Sente aqui. Vocês teriam coragem de dizer que já iriam descer, ou que não precisava? Bom eu não tive. kkkkk. Afinal minha bengala ainda tava na mão dele e..... Bom... Sei lá o tamanho dele, força e tal.... É melhor sentar rs.

Agora o mais comum:

As pessoas se sentirem ofendidas pelo simples fato de você não aceitar que elas te atrapalhem. Quer dizer: Te ajudem... Ou melhor: Sei la´.... Elas acham que estão te ajudando.

Em fim:

Sei lá.

Tudo bem que tem pessoas cegas que são orgulhosas, tratam mal quando ajuda é oferecida, mas tem pessoas que não adianta a forma que você fale. Elas se sentem ofendidas e pronto.

Outro dia no metrô.

quando saio para o trabalho, meu percurso de metrô é de apenas duas estações.

Então, acho mais prático do que me sentar, me posicionar no corredor, mais voltado para a porta que abrirá na minha estação de destino. Usando o corredor como o metrô indica, no entanto já com deslocamento fácil para a porta.

Assim fiz isso numa bela manhã.

Uma senhora chega: senta aqui!

Tento explicar com toda calma:

Senhora, muito obrigado. Mas é que eu já vou descer.

De qualquer forma muito obrigado pela ajuda.

Escuto de repente: a é? Então fica a vontade! A gente quer ajudar e ainda n quer? Se vira aí!

Nossa! A gente vem com toda boa vontade.
E eu aprendi que não adianta tentar argumentar. se você é cego, anda sozinho há pouco tempo e passar por uma situação dessas saiba que:

1. Se você for ficar chateado toda vez que isso acontecer você não vive.

2. se você argumentar é pior. só analise se você realmente não falou com um tom ríspido para tentar melhorar ou o que seja.

Mas o fato é que eu fiquei ouvindo durante o percurso inteiro. Isso se ela não continuou falando depois que eu desci.

daí ela: É por isso que eu não ofereço ajuda! Nossa! A gente tem a educação antiga de sempre ajudar.... aí eu penso:

Gente, mas que drama! Caramba tudo isso porque eu não sentei! Eu até agradeci! Não to entendendo nada!

E até agora não entendi mesmo.

Agora essa aconteceu ontem:

Por mais corrida que esteja minha vida, quando alguém tenta me ajudar utilizando um procedimento errado eu procuro parar, explicar com jeito. Tipo: se eu te der um toque você não fica chateado? E tento explicar da melhor forma.

A história do segurar no braço vai voltar... Porque é ela que normalmente se repete.

Muitas pessoas, quando você explica até falam: Po, desculpa! Eu não sabia. daí eu digo: Po normal! A maioria não sabe. Mas cabe à gente explicar.

E tudo termina da melhor forma.

Mas calma: Não é sempre assim.

Já expliquei aqui que, ao tentar guiar um cego, você deverá passar na frente dele e deixar que ele segure seu braço, na altura próxima ao cotovelo. Alguns poderão preferir o ombro.

Tudo bem.


Mas devido a idéia de proteção, ao ver um obstáculo, principalmente degrau as pessoas querem tentar segurar. Não estando muito em cima ainda dá tempo de você parar e segurar.

é engraçado que as pessoas seguram e falam: Pode ir!

Aí vai o tato: Senhor, na verdade.... É que como o senhor está segurando o meu braço eu não tenho referência, inclusive para descer o degrau que tem aqui na frente.


É bom ou melhor eu pelo menos acho interessante você passar pra pessoa inclusive que você conhece bem a situação que está ali, pra ficar mais fácil a compreensão.

Muitos compreendem.

Agora vamos ao que aconteceu ontem: De vez em quando você passa por uma dessas.

Desço do ônibus.

Mas de boa. Costumo pegar no mesmo lugar e normalmente já não tenho problema, já que muitos já me conhecem por viajar sempre juntos e já sabem os procedimentos. daí não passo tanto por tentarem me segurar na hora de sair do ônibus e tal.

Desço no ponto próximo à minha casa.

Pouco a frente tem um degrau.

O motorista de um ônibus que estava parado enquanto eu passava, pede para uma senhora que estava próximo, verificar se eu precisava de ajuda. Realmente eu ia precisar. Tinha uma rua para atravessar.

A abordagem. O degrau próximo e ela simplesmente segura no meu braço.

Parei e repito aquela frase que falo pelo menos umas 10 vezes no dia.
Senhora. teu um degrau aqui na frente e como a senhora está segurando no meu braço eu não vou conseguir descer. Podemos fazer o contrário? A senhora passa na minha frente e eu seguro no seu braço? Fica melhor. Inclusive eu vou precisar de ajuda para atravessar a rua.

A moça soltou meu braço.

Procuro o braço dela e... Ué, cadê?

Continuei andando... daqui há pouco o motorista:

Ué, dá pra ele ir sozinho?

só escuto a resposta: Ah! Ele me xingou ainda!

gente..... Bom.... Não entendi...

Gente... Será que com essa reforma ortográfica que entrou em vigor agora, alguma palavra da explicação acima virou palavrão e eu não sei?

Me expliquem por favor! rsrsrsrs. kkkkkkkkkkk.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O cego sabe pra onde vai.

Parece óbvio isso que eu to falando. Mas nem todos pensam assim.

Sério.

Perto de onde moro existe uma instituição de cegos.

Isso pode se tornar um pesadelo.

Além de ter atenção dobrada, nesses casos ela precisa ser redobrada para que você não se perca.

Motivo:

Todo mundo quer te jogar dentro da instituição a qualquer custo!

Ainda mais que eu trabalhava lá, logo que mudei para São Paulo.

Vira e mexe eu caminhava para a padaria pra tomar café e o pessoal: Ei, já passou! volta!

Aí eu respondia: Não passei... Passou! Ai que inferno era!

Teve uma que teimou tanto que eu falei: Vou acreditar que eu passei se você me responder corretamente uma pergunta: Pra onde eu to indo?

A, não tá indo pra Laramara? Errou! tchau. Obrigado. kkkkk.

Até domingo o povo cismava em tentar me jogar dentro da instituição... que inferno!

aí eu dizia: até hoje você quer fazer eu trabalhar? rs.

Hoje não trabalho mais lá e demorou para o pessoal acostumar que eu moro naquela rua.

O problema é que teve gente que aprendeu isso até de mais.

numa Sexta-feira eu como de costume, me preparava pra ir tomar aquela gelada que é de lei nos fins de semana.

Vou para o bar.

Como o ônibus que eu peguei quando saía do trabalho me deixava há umas duas quadras depois e o que me deixaria na rua do bar poderia demorar, eu fui nesse mesmo.

Entrei na rua onde moro e desci por ela. Na próxima eu viraria, pois era a rua do bar...

É eu tentar virar... ei! é pra lá!

A é uma outra mania que as pessoas tem... quando querem nos ajudar a desviar de algo... Pra lá! Po pra lá pode ser pra tanto lugar... direita, esquerda, reto...

Fingi não escutar. Não satisfeito o senhor vem correndo na minha direção... Ei amigo é pra lá... Não, não é pra lá, eu vou pra cá...

Eu te conheço! Você mora pra lá! sim... Eu concordo, eu moro pra lá, mas agora eu vou pra cá!

Mas é pra lá que você mora... Tá senhor.... Vamos por partes:

Sim eu moro pra lá e disso não há dúvida. Mas como o senhor pode afirmar com certeza, que eu to indo pra casa? O que te dá essa certeza?

Eu não estou indo, pra casa, como já tentei explicar.

Ele sai indignado porque sei la´... Na cabeça dele eu tinha que ir pra casa.

sim... fui na direção do bar. Várias pessoas em frente à faculdade que tem lá perto orientando com o seu perigosíssimo direita esquerda.
Digo perigosíssimo porque. as vezes tem gente que fala: Vai pra direita! Mas esse direita na verdade é esquerda. aí você vai pra direita e vai exatamente de cara no obstáculo que ela queria desviar. Ou porque ela se confunde, ou porque ela está de frente pra você e quando ela fala direita é a direita dela...

Na dúvida, quando é uma pessoa muito conhecida eu sigo.

Quando não, eu continuo reto esperando que a bengala detecte o obstáculo. É mais seguro. rs.

Eis que finalmente chego na porta do bar.

Logo um monte de gente próximo. localizo com a bengala a entrada e me preparo. Imediatamente sou empurrado: Vem por aqui! Mas moço... Levei um empurrão que nem deu tempo de nada falar...

Tento voltar e achar a entrada de novo... Não! Por aqui!

Mas moço... E levava um empurrão antes que eu pudesse explicar qualquer coisa.

E eu não querendo ser indelicado...

Acho a porta pela terceira vez pensando: Será que agora finalmente eu entro?

acho a porta e quando eu ia levar o empurrão eu firmei o corpo e disse> Moço: Por favor... você poderia deixar eu entrar no bar?

As pessoas querem ajudar tanto que tentam até prever pra onde você vai!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Apresentaçãodo Blog

Faaaaala galera!

Sou cego desde que nasci.

Resolvi criar este blog para expor as situações engraçadas que já passei, passo e pretendo de forma bem humorada e leve, orientar as pessoas que enxergam a melhor forma de ajudar um cego quando necessário for.

Basicamente na rua encontramos 4 tipos de pessoas:

As que não ajudam quando você precisa e fingem que não viram.

As que estão prontas para te ajudar quando você precisa.

As que tentam te ajudar quando você precisa mas acabam te atrapalhando. Essas você ainda tem como orientar a melhor forma.

Agora vem o tipo mais complicado:

As que tentam te ajudar quando você não precisa e acabam te atrapalhando, arrumando um problema que até então você não tinha. rs.

Divulguem bastante esse blog para que a gente não tenha mais que passar por essa última situação. kkkkkkk.

Até o próximo post