O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

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sexta-feira, 16 de março de 2012

Parece piada!

Faaala galera!

Mais uma sexta chegou.

Essa é inacreditável!

Bom. Sabemos que nem todos tem a.informação de que a forma de guiar um cego é deixar ele segurar no seu braço. No entanto, olha o que me aconteceu hoje.

Tive de ir a um local numa região à qual não conheço bem.

Num determinado momento, parei e pedi informação.

Duas moças gentilmente disseram:

É nosso caminho! A gente te ajuda!

Agradeci e fomos.

Uma deu o braço pra eu segurar e, enquanto isso, a outra segurou no meu outro braço, que por sinal estava com a bengala.

Até aí, nenhuma novidade. Muitos fazem isso por desinformação. Mas calma! O final estaá por vir.

Expliquei todo sem jeito que precisava que ela soltasse meu braço e, felizmente ela entendeu.

Fomos conversando no caminho.
Chegou o ponto delas e a moça que me guiava me orientou:

É só virar na próxima à direita. Agradeci.

Eis que a outra diz:
Desculpa por ter pego no teu braço!

Eu: sem problemas! Você não sabia e isso é normal.

Nos despedimos e, menos de 30 segundos depois, tinha um degrau e ela... Segurou no meu braço de novo!

Kkkkk.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Planta com espinhos

Faaaaaaaaala galera!

Ontem na ida para o almoço, chegando na esquina, um amigo comentou:

Aqui tem uma planta cheia de espinhos!

Imediatamente,lembrei como eu descobri a existência dela ali, nos primeiros dias de trabalho..

Pedi ajuda para atravessar a rua e, quando cheguei na outra calçada, fui e, como eu costumo andar rápido, não deu tempo...

Meti a barriga na planta, que quase rasga minha camiseta.

A bengala ficou presa e ao fazer um movimento para tirar, meto o braço nos espinhos!

Não gente... Isso ainda não foi o pior.

Deu ainda vontade de matar o idiota que me ajudou a atravessar a tal rua...

Daí vocês falam:

Po, sacanagem! O cara não fez por querer! Não tava acostumado!

Tá bom... Mas se eu contar pra vocês que o sujeito, além de não me avisar da planta e me colocar na calçada na direção, quando eu já imaginava até que ele tinha ido embora, depois que eu me ferrei todo nos espinhos ele vira e fala:

Cudado! Essa planta tem espinho!

Porra! depois que eu já me ferrei todo que ele avisa?

kkkkkkkk.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ofensas ou não?

Faaaaaaaaaaaaaaaaala galera!

Esse post é meio confuso.

Afinal eu ofendo ou não. Não ofendo. Ou será que sim?

Tudo depende do ponto de vista. Mas eu sou cego. sei lá.

Bom, vou logo dizer o que eu to querendo.

Quem lida com o público sabe que podemos nos deparar com vários tipos de situações.

Uma vez no trem. Não tinha lugar.

eu normalmente não peço, também não curto a ideia de que alguém o faça. em fim: estava posicionado no trem tranquilamente.

daqui há pouco vem um sujeito com a voz grave, brava.

A! Não tem lugar pra você, pera aí! Tomou a bengala da minha mão antes que eu pudesse fazer qualquer coisa e eu já pensando: Ai minha bengala! Se ele quebra eu to fodido! Era a minha preocupação.

O que ele fez com a minha bengala na mão eu não vi, mas daqui há poucos segundos ele vira e fala: Pronto jovem! Sente aqui. Vocês teriam coragem de dizer que já iriam descer, ou que não precisava? Bom eu não tive. kkkkk. Afinal minha bengala ainda tava na mão dele e..... Bom... Sei lá o tamanho dele, força e tal.... É melhor sentar rs.

Agora o mais comum:

As pessoas se sentirem ofendidas pelo simples fato de você não aceitar que elas te atrapalhem. Quer dizer: Te ajudem... Ou melhor: Sei la´.... Elas acham que estão te ajudando.

Em fim:

Sei lá.

Tudo bem que tem pessoas cegas que são orgulhosas, tratam mal quando ajuda é oferecida, mas tem pessoas que não adianta a forma que você fale. Elas se sentem ofendidas e pronto.

Outro dia no metrô.

quando saio para o trabalho, meu percurso de metrô é de apenas duas estações.

Então, acho mais prático do que me sentar, me posicionar no corredor, mais voltado para a porta que abrirá na minha estação de destino. Usando o corredor como o metrô indica, no entanto já com deslocamento fácil para a porta.

Assim fiz isso numa bela manhã.

Uma senhora chega: senta aqui!

Tento explicar com toda calma:

Senhora, muito obrigado. Mas é que eu já vou descer.

De qualquer forma muito obrigado pela ajuda.

Escuto de repente: a é? Então fica a vontade! A gente quer ajudar e ainda n quer? Se vira aí!

Nossa! A gente vem com toda boa vontade.
E eu aprendi que não adianta tentar argumentar. se você é cego, anda sozinho há pouco tempo e passar por uma situação dessas saiba que:

1. Se você for ficar chateado toda vez que isso acontecer você não vive.

2. se você argumentar é pior. só analise se você realmente não falou com um tom ríspido para tentar melhorar ou o que seja.

Mas o fato é que eu fiquei ouvindo durante o percurso inteiro. Isso se ela não continuou falando depois que eu desci.

daí ela: É por isso que eu não ofereço ajuda! Nossa! A gente tem a educação antiga de sempre ajudar.... aí eu penso:

Gente, mas que drama! Caramba tudo isso porque eu não sentei! Eu até agradeci! Não to entendendo nada!

E até agora não entendi mesmo.

Agora essa aconteceu ontem:

Por mais corrida que esteja minha vida, quando alguém tenta me ajudar utilizando um procedimento errado eu procuro parar, explicar com jeito. Tipo: se eu te der um toque você não fica chateado? E tento explicar da melhor forma.

A história do segurar no braço vai voltar... Porque é ela que normalmente se repete.

Muitas pessoas, quando você explica até falam: Po, desculpa! Eu não sabia. daí eu digo: Po normal! A maioria não sabe. Mas cabe à gente explicar.

E tudo termina da melhor forma.

Mas calma: Não é sempre assim.

Já expliquei aqui que, ao tentar guiar um cego, você deverá passar na frente dele e deixar que ele segure seu braço, na altura próxima ao cotovelo. Alguns poderão preferir o ombro.

Tudo bem.


Mas devido a idéia de proteção, ao ver um obstáculo, principalmente degrau as pessoas querem tentar segurar. Não estando muito em cima ainda dá tempo de você parar e segurar.

é engraçado que as pessoas seguram e falam: Pode ir!

Aí vai o tato: Senhor, na verdade.... É que como o senhor está segurando o meu braço eu não tenho referência, inclusive para descer o degrau que tem aqui na frente.


É bom ou melhor eu pelo menos acho interessante você passar pra pessoa inclusive que você conhece bem a situação que está ali, pra ficar mais fácil a compreensão.

Muitos compreendem.

Agora vamos ao que aconteceu ontem: De vez em quando você passa por uma dessas.

Desço do ônibus.

Mas de boa. Costumo pegar no mesmo lugar e normalmente já não tenho problema, já que muitos já me conhecem por viajar sempre juntos e já sabem os procedimentos. daí não passo tanto por tentarem me segurar na hora de sair do ônibus e tal.

Desço no ponto próximo à minha casa.

Pouco a frente tem um degrau.

O motorista de um ônibus que estava parado enquanto eu passava, pede para uma senhora que estava próximo, verificar se eu precisava de ajuda. Realmente eu ia precisar. Tinha uma rua para atravessar.

A abordagem. O degrau próximo e ela simplesmente segura no meu braço.

Parei e repito aquela frase que falo pelo menos umas 10 vezes no dia.
Senhora. teu um degrau aqui na frente e como a senhora está segurando no meu braço eu não vou conseguir descer. Podemos fazer o contrário? A senhora passa na minha frente e eu seguro no seu braço? Fica melhor. Inclusive eu vou precisar de ajuda para atravessar a rua.

A moça soltou meu braço.

Procuro o braço dela e... Ué, cadê?

Continuei andando... daqui há pouco o motorista:

Ué, dá pra ele ir sozinho?

só escuto a resposta: Ah! Ele me xingou ainda!

gente..... Bom.... Não entendi...

Gente... Será que com essa reforma ortográfica que entrou em vigor agora, alguma palavra da explicação acima virou palavrão e eu não sei?

Me expliquem por favor! rsrsrsrs. kkkkkkkkkkk.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tem Dia que de Noite é Assim

Um amigo as vezes me diz: tem dia que de noite é assim!

Lembram que eu disse no primeiro post que as vezes as pessoas tentam ajudar numa hora que você não precisa e acabam te atrapalhando arrumando um problema que você não tem?

Quando acontece uma coisa ou outra, mas tem um dia específico que a minha vinda para o trabalho eu sinceramente gostaria de esquecer.

Primeiramente. Todo mundo tenta fazer algo que nunca deve ser feito.... Segurar o cego.

Eu nunca vi! O Cego não tem equilíbrio, é aleijado, tudo ao mesmo tempo, porque querem segurar em todas as situações. rs.

Primeiramente, estou chegando no metrô. Tem uma farmácia, uma lanchonete e o muro está à minha esquerda. No final dele tem um paredão na frente...

Quando eu encontro esse paredão na minha frente eu tenho que chegar para a direita que ele recolhe e seguindo, mantendo esta nova parede a esquerda a escada do metrô está logo ali. Então... esta parede é a referência para que eu procure não errar e pegue o muro da entrada do metrô.

A parede está em frente...

Estou caminhando me guiando pelo muro, indo na direção a essa parede que estaria exatamente na minha frente.

Insistentemente uma moça vinha e me empurrava pra fora do muro...

Ela me empurrava, quando eu tentava voltar ela me empurrava de novo... eu tentava voltar e quando tentava achar o muro ela me empurrava pra fora de novo... Tentava e novamente ela me empurrava.

Eu não sabia mais o que fazer! daqui há pouco minha referência já era. Parecia que eu tava brincando de vai-e-vem... rs.

Até que uma hora eu disse:

Mossa! tem a parede aqui na frente e eu preciso bater nela!

A moça nada falou e não deve ter entendido nada. Ué... Por que ele precisa bater com a cara na parede, ela deve ter pensado.... não era a cara, era a bengala. que eu precisava bater.

Pelo amor de Deus gente: quando vocês verem que tem um poste, parede, árvore no caminho do cego, simplesmente digam isso. se ele continuar é porque aquilo que parece um obstáculo é exatamente o que ele tá precisando achar! rs.

Sim. depois da guerra com a parede, chega a escada do metrô.

Venho andando no meu bom ritmo.. a bengala acha o primeiro degrau. quando ia subir com ela para que eu pudesse calcular o meu passo vem um cidadão e, segura exatamente na ponta da bengala!

Aí eu disse: É hoje! Pensei....educadamente, pedi que ele soltasse minha bengala e vou eu fazer todo o procedimento novamente, para subir o degrau... Voltar, ir com a bengala, calcular e subir...

Gente é a bengala que o orienta o cego no passo que você vai dar. se você segura ele fica duplamente cego! rs.

Segurar o cego. essa que é a pior.

Intuitivamente as pessoas nada falam, e simplesmente seguram no braço do cego.

Isso tira a referência. Pelo menos no meu caso.

Se você faz isso na hora que to descendo ou subindo um degrau e principalmente num vão de trem e metrô você corre o risco sério de me derrubar. Pronto já dei idéia a quem quiser ser meu inimigo... Pronto! rs.

Tá... Subi no primeiro degrau e e vem a sequência de degraus pra baixo.

Quando a pessoa segura imediatamente, com uma certa distância do degrau, você ainda consegue parar e pedir: Poderia soltar meu braço, senão eu não consigo descer. quando a pessoa solta eu agradeço ainda, mas legal....

Nesse dia, quando chega na beira do degrau um cidadão tenta segurar meu braço. Foi por Deus. Parar o movimento não dava mais... A minha sorte é que quando ele deu um toque antes que segurasse e eu percebi o movimento e recolhi o braço pra que ele não conseguisse e desci o degrau... Já foi um malabarismo, mas a única manobra possível como um desvio brusco... Pior que quando eu desvio pra direita para que o cidadão não me segurasse, vem uma moça tentando segurar o outro braço!

E era o que tava com a bengala!

Não dava mais para parar, tava no meio da escada e eu tinha que desviar dos braços e calcular os degraus!

Eis que a moça indignada, depois de todo o sufoco fala: é, não quer ajuda né?

Po que injustiça! Eu nunca recuso ajuda. eu só recuso que me atrapalhe!

Mas beleza.. Segui meu caminho já que a mulher não queria ouvir nenhuma explicação. Eu ainda tentei.

Entrei no metrô, desci na República para aquele velho trajeto de pegar ônibus subindo a consolação.

Entro em um ônibus.

O cobrador diz: O banco à sua esquerda está vazio! agradeci e me dirigi à ele.

Vem um senhor e segura no meu braço.

Aí eu explico. senhor. desculpa, mas é que se você segurar meu braço eu não consigo ter referência pra sentar.

Maldita hora que eu falei isso!

Ele soltou o braço e segurou na cintura!

Desde então eu resolvi mudar a frase:

Já foi na hora. Moço. Se me segurar eu não consigo sentar... eu acho que assim fica mais fácil né?

Sim. Ele entendeu.

Esse banco era daqueles que tinha um degrau alto antes de chegar.

Então, daí vem o pior:

O próximo ponto seria o meu. Levantei do banco e ia descer o degrau. Medi a altura com a bengala e quando estiquei o pé e fiz o movimento de descida uma menina segura no meu braço no meio da descida!

Vai minha referência, equilíbrio e quase vou eu no chão. E ela... Eu senti o movimento dela quase caindo.... Lógico. ela não aguentaria meu peso de jeito algum!

Aí eu falei:

Moça, assim você quase me derruba! Ela disse: só quis ajudar.

Sim, entendo. Mas não faça mais dessa forma.

E como eu faço? Primeiramente pergunte se a pessoa precisa de ajuda.

Segundo ela te dirá o que precisa, mas basicamente se quiser guiar alguém você deverá dar seu braço para que a pessoa segure. Normalmente um pouco acima do cotovelo a pessoa segurará. Mantenha-se na frente da pessoa guiada e vai...

Tá... Acho que ela entendeu.

aí desço no ponto do ônibus.

Vou andando na direção da faixa para atravessar a rua:

Alguém me puxa e disse: Moço, senta aqui! Mas que raios, pra que eu ia sentar no banco do ponto de ônibus! aquela história... Cego não pode ser visto em pé.

Moço eu estou indo pra faixa vou precisar atravessar. Então pode ir que tá no caminho certo. Ta bom isso eu já sabia. mas é mais uma. Normalmente cego não sabe pra onde esta indo. rsrs.. Num outro post eu vou falar mais sobre isso.

chego na faixa. quando você está no meio de duas pistas você tentar explicar pra onde vai não é tão eficiente. As vezes você não fala a mesma língua, a pessoa não entende direito, tenta te levar para o lado errado e você para, explica de novo. Isso não é regra, mas as vezes acontece.

Com o tempo, descobri que a forma mais eficiente é você apontar a direção para onde quer atravessar. Não tem erro. A pessoa vai ver e pronto.

Então um moço já chegou.

Você quer atravessar? sim. Pra onde: aponto. Pra lá... Depois escuto:

Pra onde você vai? Fiquei preocupado. será que tem um cego tentando me ajudar? Acabei de mostrar.

Apontei novamente.

Vai continuar na consolação né? Subir oud escer... descer.

O cidadão me ajuda, agradeço e sigo meu caminho:

Ei amigo espera? a paulista é pra lá!

Não sei em que momento eu falei que ia pra Paulista. Ou eu to ficando louco, mas sei lá... E eu falei que ia descer. Pra paulista eu teria que subir. Mas...

bom no próximo post eu falo mais das orientações direita e esquerda e dessa história do cego não saber onde vai. rsrsrs.