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terça-feira, 13 de julho de 2010

Cegos e tecnologias

Faaaaaaaaala galera!

Hoje vou falar sobre um assunto que julgo interessante.

Cegos e tecnologias.

Hoje, existem várias tecnologias que facilitam muito nossa vida.

Quando tinha mais ou menos uns 12 anos (tá bom.... eu sei que já faz tempo..... não precisa espalhar.... rs), não imaginava um dia poder ler jornal, ou quem sabe um livro... Não imaginava poder escolher um filme para assistir no cinema sem depender quem alguém pudesse ler os filmes que estavam em cartaz.... Em fim....

Isso tudo a tecnologia veio resolver.

Pesquisa para trabalho escolar? se não tivesse alguém para ler livros e que tivessem paciência para tal e ajudar era impossível.

Tudo que eu citei acima, a Internet veio ajudar.

Agora as tecnologias também geram situações engraçadas.

Isso porque grande parte das pessoas não sabe da existência de certos recursos. Muita gente não sabe, por exemplo, que existem softwares que nos possibilitam o uso do computador, fazendo com que tudo que aparece na tela seja falado.

Lembro que há uns 10 anos atrás, era muito comum, quando eu frequentava o chat do Terra e da Uol, na hora de contar que sou cego, as pessoas rirem, ou falar coisas do tipo. Po, você tá mentindo. Como você sabe o que eu escrevo?

Ia eu explicar.... Algumas pessoas entendiam... Outras continuavam sem acreditar.... Era um sufoco só!

A e trocar mensagens no celular hoje em dia? Muita gente não sabe também, que existem programas que fazem o celular falar...

Eu tava nesse fim de semana conversando com a Gaby (minha namorada).. aliás..... Amor.... Te amo..... Bom... Voltando ao post.... Rs. Nós conversávamos sobre isso.

Eu tava contando quando, no início da década de 90 eu tive o meu primeiro relógio que falava hora.... Ela..... Relógio que fala?

Eu.... Sim..... Relógio....

Aí ela comentou....

Engraçado. A gente que não tem contato direto acaba não sabendo de certas coisas que existem... Fiquei espantada... Até relógio falando?... kkkkkk.

Algumas pessoas devem já ter visto. Tinha muito nos camelôs na época. Aquele relógio do Paraguai que o despertador era um galo cantando..... Então.... Aquele relógio falava.... rsrsrs.

Agora tem a outra vertente.

Aquelas pessoas que conhecem a existência dos recursos e, devido a esse conhecimento, acham que o cego vive cheio de parafernalha eletrônica pra cima e pra baixo.....
Po.... Eu ando na rua só com a bengala... kkkkkkkkkk.

O celular pode até estar comigo também, mas......

Eu conheci uma pessoa assim.

Outro dia estávamos conversando sobre a vida no campo... Roça mesmo... rs. Aí comentei que conhecia várias pessoas que foram criadas na roça. Mas eu dizia que não sou muito chegado, a não ser pra passear... Mas viver na roça eu não conseguiria....

Aí ele disse:

Po roça deve ser punk pra você né cara! Não tem os recursos que normalmente se tem nas grandes cidades com relação a tecnologia e acessibilidade....

Aí eu perguntei: E bem em São Paulo, um grande centro do país, que recursos você acha que eu tenho?

kkkkkkkk. Não dá pra se iludir. As vezes vemos alguns recursos de acessibilidade que ajudam, mas na maioria dos lugares onde andamos não tem nada... Ou seja: Dá no mesmo! kkkkk.

Agora quanto às tecnologias que realmente uso, já são possíveis mesmo em algumas zonas rurais. rs.

Esse mesmo camarada, quando fiz prova de concurso público, perguntou como como eu fazia a prova.

Daí eu disse que era com a ajuda do chamado ledor....

Ele perguntou o que era.

Aí expliquei que se tratava de uma pessoa convocada pela banca organizadora do concurso para fazer a leitura da prova, e transcrever as minhas respostas no cartão... Ou seja: Marcar as alternativas ditas por mim......

Daí ele manda:

Putz! Eu pensei que esse tal de ledor fosse um gadget eletrônico!

kkkkkkkkk.

A... No post anterior, quando falei sobre a viagem num Carnaval para Mairiporã, comentei que tinha ido a um bar jogar dominó.

Antes que alguém pense que eu uso algum aparelhinho no ouvido que fala as pedras que foram jogadas e que me diga as pedras que eu tenho, vou explicar que não é nada disso. kkkk.

A... Eu duvido como nessa altura alguém deve ter pensado que tem braille no meu dominó..... kkkkkkkk. Po fazer braille na pedra ia ser, digamos, complicado em! kkkkk.

Na carta de baralho sim.... Meu baralho tem braille.... depois de muita paciência, caso você não consiga comprar um pronto, dá pra fazer.... kkkk.

Deixa eu explicar como funciona.

Existem 2 tipos de dominó...

Sabemos que quase invariavelmente, as pedras de dominó tem uns furinhos.

No entanto, existem aqueles que você pegando nele, ele só tem as quantidades de furos equivalente à pedra.

Nesse exemplo, se você pega na mão um gabão de az, verá que essa pedra terá um furo, uma divisão e depois outro furo...

O gabão de branco não terá nada...

Esse esquema é muito comum naqueles dominós antigos feitos de osso.

Esse é um tipo de dominó...

Agora existe um outro tipo, onde todas as pedras são totalmente preenchidas. 6 furos de um lado e 6 na outra ponta, sendo que pra efeito da pedra, só valem os furos pintados..... Bom... Esse, sem chance!

Só o primeiro que dá pra jogar.... Rs. em qualquer loja que venda dominó você pode achar dele.... Não precisa esforço.

Já o jogo ocorre da seguinte forma.

Cada lance deverá, para que o cego não tenha toda hora que passar a mão no jogo e desmontar, ser falado.

Vou pensar numa sequência aqui... digamos que eu saí com o gabão de quina.

A outra pessoa, após jogar, vai falar como ficaram as pontas. assim eu vou já ter noção da pedra que ela jogou depois de mim. A próxima pessoa a jogar, fará o mesmo....

Exemplo...

1... Quina e quina.

2. Quina e quadra.

3. Quadra e terno.

então. se eu saí com quina e quina. Quando a segunda pessoa falou quina e quadra, altomaticamente eu já sei que a ponta ficou quina e quadra, por ser a pedra que ela jogou.

A terceira pessoa, quando falou quadra e terno, automaticamente eu já sei que ela jogou na ponta da quina, e a pedra era quina e terno, fazendo com que as pontas ficassem quadra e terno.

Para ficar uma fala resumida e não perder a velocidade do jogo a gente prefere que fale apenas as pontas.

claro que é importante que sempre a pessoa que jogou que fale, para que a gente já saiba de quem foi a jogada e poder se organizar estrategicamente é claro.

Aviso:

A título de facilitar, o cego normalmente joga apenas sua pedra na mesa, deixando a cargo de quem enxerga posicioná-la no lugar correto, pois vendo essa pessoa fará isso mais rapidamente.

A e no caso de ma partida só de cegos?

A, nesse caso, as pessoas vão jogando as pedras de qualquer jeito na mesa e de cabeça pra baixo....

Por que de cabeça pra baixo?

Pra que não tenhamos o trabalho de desvirar todas as pedras antes de embaralhgar e começar a próxima partida!

Afinal, não estamos vendo e sempre pode acontecer de ficar uma desvirada e aí quem tocar nela teria vantagem.

Como a gente não precisa do jogo montado visualmente e sim apenas dele mentalmente, não faz diferença o fato das pedras estarem viradas ao contrário.

Bom galera, esse post eu sei que ficou longo... rs.

Então, por hoje é só..... Tchau!

5 comentários:

luciana disse...

Ei Carioca, tu esqueceu de comentar, o dia, em que tu viu duas pedras iguais!rsrsrsrsrsrsrs..Se não me engano, esse fato aconteceu no Rio! Beijos.

André Carioca disse...

É verdade! Jogando dominó no Rio, teve um dia que eu, em pleno jogo, consigo achar duas pedras iguais! Imaginem como eu tava sóbrio em! kkkkkk.

E ainda comentei... Nossa , tem duas pedras iguais aqui! kkkkk.

Ricardo Mannrich disse...

Olá... imagino que este não seja o melhor lugar para perguntar, mas... Minha esposa é baixa (bem baixa) visão. Uma dificuldade que temos é comprar um celular para ela. Sempre oferecem o mais básico, já que ela não vai aproveitar o resto. Mas, é claro, ela gostaria muito de aproveitar outras funcionalidades, vomo mensagens. Que aparelho você usa, ou sugere?

Obrigado, e parabéns pelo blog.

Ricardo

André Carioca disse...

Ricardo.... Me contacte por e-mail... Tá no meu último Post o endereço. assim te oriento melhor na questão do celular para sua esposa.

Angelica Sigarini disse...

Oi André gostaria de saber se pode ser minha fonte numa grande reportagem impressa... sou pós-graduanda em linguagem jornalistica e moro em Campo GRande MS, caso aceite o meu email é angelsiga@gmail.com

Obrigada