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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fim da novela com o Itaú.

Faaaaaaaala galera!

Finalmente, desbloqueei meu cartão com chip enviado pelo Itaú e agora, acabaram-se os constrangimentos passados pelo meu cartão de débito não passar em algumas máquinas.

No entanto, compartilho com vocês a solução dada pelo Itaú, para mostrar que a nossa luta só começou.

em contato recebido pelo banco, me foi dito que poderia ser tomado o seguinte procedimento: Retirar minha conta do perfil deficiente visual, solicitar um novo cartão, pois assim o mesmo viria com chip e, seguidos alguns dias, a opção seria reativada.

Resumindo a história:

Para que o banco me enviasse um cartão com chip, eles teriam primeiramente que pensar que eu não sou cego e assim o mesmo seria enviado. Posteriormente, o sistema voltaria a entender que sou cego.

aceitei, por precisar solucionar o problema com urgência.

No entanto, sabemos que isso não é o ideal.

Onde está o reconhecimento de que somos cidadãos e o tratamento e respeito que merecemos como tal?

O meu problema está solucionado, no caso o do cartão.

Mas quando deciti postar aqui a solução, foi para propôr que não deixemos mais esse tipo de coisa acontecer.Isso não vale apenas para o Itaú.

Se seu banco te trata com algum tipo de prática desrespeitosa, corra atrás.

Proponho a criação de um grupo e a redação de um abaixo assinado encaminhado para a febraban, questionando e denunciando esse tipo de prática.

Não só a do envio de cartão com chip, como também a questão da redução no limite em tranzações online em troca da acessibilidade. Aliás, para mim qualquer acessibilidade que é dada em troca de algum outro recurso é pseudo-acessibilidade.

Aliás não estamos aqui vendendo o nosso direito de acesso ao banco, para aceitarmos passivamente essa história de te daremos isso, mas retiraremos aquilo.

E atenção vocês aí que pensam saber tudo sobre cegos, surdos, cadeirantes, etc.

enquanto vocês são alunos aplicados no aprendizado da lição ensinada de forma eficaz pelo sistema, com seu politicamente correto e passam a falar bonito, nos chamando de pessoas especiais..... ei... especial é aquele pastel da feira....... rsrsrs.

em fim. Enquanto vocês ficam nessa, instituições bancárias, poder público etc, continuam pisando nas nossas cabeças.

Pessoas especiais não.

somos cidadãos que em muitos casos trabalhamos, contribuindo para o governo assim como para instituições bancárias com nosso dinheiro, fruto do nosso salário.

se o PIB de nosso país sobe, contribuímos para tal.

Nosso dinheiro também está no meio de toda aquela arrecadação de impostos que o governo recebe todo ano.

Vamos parar com essa história de aceitar como esmola tudo que nos é feito.

Merecemos todos os recursos necessários para vivermos dignamente, não por sermos cegos, cadeirantes, surdos ou seja lá o que for, mas sim por sermos cidadãos.

Muitas vezes políticas de acesibilidade não são executadas, por causa desse pensamento retrógado de que cegos, surdos, cadeirantes são pessoas que devem ser tuteladas.

Já chega. somos cidadãos e se o Governo precisa prover todas as necessidades básicas do cidadão, nada mais justo que prover acessibilidade, uma vez que também contribuímos para o país nas formas citadas acima.

e voltando ao banco, a nossa acessibilidade aos caixas eletrônicos e ao site dos bancos que hoje é dada por alguns, não deveria ser considerada um favor, como muitos pensam.

deveria sim ser encarado como acesso necessário e obrigatório para cidadãos que tem seu dinheiro ali e necessitam.

Favor é sim. quando por exemplo pedimos ajuda a uma pessoa para algo, como atravessar a rua, parar um ônibus por exemplo.

essa sim não tem obrigação de fazê-lo, mas está nos auxiliando. Isso é só um dos exemplos.

Tudo bem que essa necessidade surge por causa da acessibilidade que não nos é provida. Em fim....

agora, governo, bancos etc nos encararem como cidadãos, não é favor coisa nenhuma.

Pensem comigo:

Na hora de votar, somos cidadãos.

Gastaram grana, criaram urnas eletrônicas com transcrições em braille, nossa!

Na hora de atravessarmos uma rua não temos semáforos sonoros, cadeirantes não tem guias rebaixadas em vários lugares, o acesso deles a transporte público não tem sequer metade da acessibilidade que necessitam, mas garanto que para chegar ao local de votação eles, assim como nós, tem toda estrutura para tal.

Quem sabe um dia esse país seja menos hipócrita.

e repito mais uma vez:

"Especial é aquele pastel da feira. Somos cidadãos, porra!"

2 comentários:

MT Flávio Correia disse...

André, assino em baixo de tudo o que você falou! Mais uma vez parabéns pela sua luta e coragem!

Concordo com a organização de um documento oficial a ser enviado a Febraban e, por que não, ao ministério público.

Cara, gostaria muito de falar com você. Entra em contato assim que possível!

Emilee Mickely disse...

Gostei!
Concordo plenamente!