O que você acha da minha ideia de indicar algum som que curto em cada postagem do Cotidiano Cego?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ser Cego Requer Paciência e compreensão



Faaaaaaaaala galera!

Hoje venho aqui falar sobre falta de compreensão e comunicação.

Já comentei aqui no blog sobre a falta de paciência por parte de alguns cegos, por não compreenderem o óbvio:

Muitas das pessoas com as quais esbarramos na rua, carecem de informações sobre a cegueira, não sabendo, consequentemente, como nos auxiliar. Muitas vezes tomam atitudes que acabam atrapalhando. Porém, isso é pura falta de informação.

Disse também na ocasião, sobre a necessidade de, mesmo nos momentos nos quais não precisamos de ajuda, saber dizer isso a quem nos oferece.

Por outro lado, ninguém aborda a incompreensão contrária.

Existem pessoas que não aceitam serem orientadas.

Já passei por várias situações onde, ao tentar mostrar algo simple para alguém.... tipo...... A pessoa tenta te puxar pelo braço e você dizer... Por favor.... Poderia passar na minha frente e deixar que eu pegue no seu braço?

Já cheguei a ouvir inclusive o seguinte:

“Não gosto de ajudar cego por causa disso.... A gente quer ajudar e eles querem corrigir.”

Calmamente,... bom.... sei que perdi meu tempo...... rs. Mas respondi:

Desculpe. Mas se o senhor tivesse realmente interesse em aprender como proceder e um pouco de humildade para ver não só a sua intenção mas o efeito da atitude e, o mais importante, saber que nem sempre estamos certos na vida, não haveria necessidade de ninguém te corrigir.”

Existe uma diferença não percebida por muitos entre a intenção em ajudar e a ajuda propriamente dita.

Pessoas que por exemplo seguram em nossos braços quando vamos descer um degrau, tentam nos segurar quando vamos sentar em algum lugar, etc., tem a intenção de ajudar, desconhecendo o quanto tais atitudes nos atrapalham.

Eu, por exemplo, tenho um sério problema.

Alguns cegos não passam por isso.... Mas, eu, se alguém segura no meu braço na descida de um degrau , perco a noção da altura do degrau, do movimento que eu ia fazer......... Fico mais cego do que já sou..... Se é que isso é possível. Kkkkkkkkkkk.

Tem uma situação engraçada.

Tem uma banquinha de frutas numa das esquinas que passo quando venho para o trabalho.

Normalmente eu acho ela e desvio, fazendo a curva para a avenida e finalmente ir na direção do ponto de ônibus.

Agora você imagina.

Você menos espera e alguém te puxa pelo braço na intenção de te tirar da direção onde está o carrinho.

Legal, né? Seria, se depois disso eu não perdesse toda a noção de em que posição da calçada estou, tendo uma esquina pra eu virar e sabendo que um erro faria eu parrar no meio da rua, na AV. São João. Kkkkkkkkk.

Conversei com o vendedor certo dia para que ele, se possível, sinalizasse para as pessoas caso alguém tentasse me puxar pelo braço ali, evitando tal acidente. Ele compreendeu e creio até estar fazendo isso, pois diminuiu muito a ocorrência naquele ponto.

Apesar que hoje aconteceu. Kkkkk.

É aquela velha história de tentar resolver um problema que você não tem e te arrumar um muito mais complexo. Kkkkk.

Infelizmente, é muito mais fácil criticar, do que tentar entender.

Muitas das vezes nem da tempo de falar nada. Um degrau bem à frente. A Pessoa tenta pegar no seu braço e só dá tempo de ter reflexo e tirar o braço, até porque costumo andar rápido.

Sei que nesses casos, é muito mais fácil a pessoa dizer: Tentei ajudar e ele não quis, em vez de tentar entender porque não deixei que segurasse no meu braço. Mas, fazer o que?

Antigamente eu ficava meio desapontado com isso. Hoje sei que não adianta... Nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos. Rsrsrsrsrs.

E porque to falando isso hoje?

Porque esses dias estava tomando cerveja no balcão de um bar e encontrei um cidadão que tentou me segurar pelo braço..... olha o perigo...... Na subida da escada, entrando no meu trabalho. Tem noção! Eu perco a referência quando seguram meu braço enquanto ando.... Imagina o que isso pode causar numa escada?

Bom...... Acidente de trabalho! Kkkkk.

A interpretação do cara foi: “tentei segurar no braço dele outro dia e ele não gostou.”. kkkkkkkkkk.

Veio me pedir desculpas. Aí fui explicar a ele que não se trata de gostar ou não e sim, do risco de acidente de trabalho. Kkkkkkkkk.

Afinal ele poderia, sem intenção, fazer o que ele temia.... eu cair da escada. Kkkkkk.

E o pior:

As vezes as pessoas devem pensar:

Não. Vou segurar porque qualquer coisa eu to apoiando..... Eu seguro...

Falou então....... Será tão fácil segurar um cara de 1,80 e 114 KG durante uma queda? Kkkkkk. Acho que não... É mais fácil a pessoa cair junto.... rs.

O fato é:

Não basta querermos que as pessoas tenham compreensão com relação a nós. É, também, tão importante quanto, compreendermos as ações e reações e intenções delas.

E se mesmo assim, não nos entendem e nem querem entender, paciência! Pelo menos, a nossa parte deve ser feita.

3 comentários:

Emilee Mickely disse...

OI André, tudo bem?!
Resolvi comentar seu post, ao invés de apenas ler kkkk.
Não sei se acontece com você o que vou falar, mas é algo muito comum com meu amigo, aquele que você sabe quem é. Ele era bonito, mas não quis namorar comigo e agora acho ele feio kkkk.
Voltando ao assunto. Ele tem uma mania de achar que todo mundo tem que saber que ele é cego. Que todos devem olhar pra bengala e saber que ele usa porque ele é cego.
A maioria das pessoas não conhece, principalmente aqui em uma cidadezinha do interior. Nossa, ele fica muito impaciente com isso.
Ai ele sempre falar: "será que ele não viu a bengala?"

Você se pergunta muito isso? Também acha que todos deveriam percebe que você está usando uma bengala para cegos?
Abraços

André Carioca disse...

Emilee. Na verdade eu já fico muito puto quando as pessoas vêem a cegueira antes da pessoa e se, a princípio as pessoas olharem a bengala e já verem um cego antes de ver o André, ser humano, eu sinceramente não gosto. Se puder nem me aproximo de quem age assim.

Agora, tem casos que beiram o cúmulo. Tipo a pessoa está na sua frente, você vem com a bengala e ela acha que você deve desviar. Mas nesses casos eu atropelo e fica tudo certo. kkkkkkk.

Letícia Costa disse...

Oi, André, boa tarde. Essas questões são mesmo complicadas. Tenho baixa visão, uso bengala prá andar na rua, e percebo como as pessoas nem sempre sabem nos ajudar da forma mais adequada para nós. Algus indivíduos, sei lá, nem sei o que acontecem, pois seguram nosso braço tão forte que parecem estar com medo de andar conosco, rsrsrs, fazer o quê né? Precisamos ter muuuita paciência e saber inclusive como recusar uma ajuda que julgamos desnecessária. Tenho uma amiga cega que não dá conta de fazer isso, e acaba sendo grosseira com as pessoas que se aproximam dela para ajudar. Gostaria de ter mais contato com você. Você tem facebook? Meu email é: lelecs18@hotmail.com. Não sei se é o seu caso, mas eu adoro trocar idéias com pessoas cegas e de baixa visão, nas mais diversas áreas da vida. Acredito que, quando compartilhamos experiências, a vida se torna mais leve, rsrsrs. Um abraço, Letícia.