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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

acessibilidade em aparelhos eletrônicos

Faaaaaaaaaala galera!

Hoje to aqui pra falar sobre acessibilidade em aparelhos eletrônicos.

De certo que hoje, já temos acesso à computadores, celulares e quando falo em termos acesso, refiro-me à todas as funções do equipamento.

Até o início da década de 90, os aparelhos eletrônicos funcionavam no esquema cada botão para uma função.

Isso com certeza não tornava seu uso intuitivo, mas, quando indicado para o cego para que servia cada botão, dava pra gente se virar legal.

Mas, como alegria de pobre dura pouco e alegria de cego também, imagina alegria de cego pobre! kkkkkkkk. bom.

Os micro-ondas passaram repentinamente a não terem botões.

Minha mãe comprou um e o visor era liso.

Eu só pensava: como vou usar essa merda? kkkkkk.

Eu tinha que decorar onde estavam os botões sem ter botão. kkkkkkkk.

Minha mãe, na tentativa de ajudar, fez umas bolinhas com cola e passou em cada botão... Ficou uma merda.....kkkkk. mas pelo menos deu pra eu saber onde ficava cada botão mesmo que aquilo fosse retirado depois.

Até que me virei bem no uso de botões virtuais com o tempo. rsrsrsrs.

Aí começaram a vir os celulares Touch screen e eu pensava: nossa! Tá piorando!

Mas felizmente além dos celulares touch screen, existe a apple.

Pera aí andré. tu tá maluco?... Não to. eu sou... mas....... O que tem uma coisa a ver com a outra?

Achavamos que tela touch era a maior vilã e inimiga do cego, até que a apple veio nos provar o contrário.

No lançamento do Iphone 3GS, veio um comercial da apple de um cego usando, junto com a divulgação de um programa através do qual, seria falado onde você tocou na tela e que o mesmo viria incorporado no sistema, bastando ser ativado se necessário.

Já tinha testado um Ipod Nano classic e fiquei impressionado com sua acessibilidade na navegação pelos menus.

Foi uma experiência muito interessante, porque até então, MP3 player para mim era apenas dar play, pause, avançar e retroceder música. rs.

Tanto que, preferia ouvir pelo celular para ter acesso à todas as funções como ler a música que está tocando, criar playlists, etc.

Foi uma grande experiência.

Mas mesmo assim, me vinha à cabeça:

Acessibilidade em tela touch? Duvido. só acredito vendo! Aí fodeu... Eu ia ver como? como eu ia acreditar? kkkkkkkkkkkkkk.

quando o Iphone 3GS foi lançado, fiquei doido querendo testar um.
Pra não dizer que o negócio era uma furada, ou que era inacessível e tal, baixei o manual do aparelho pra testá-lo sabendo usar. kkkkkkkk.

aí um amigo comprou o Iphone.

quando testei, olha...... O que eu não acreditava estava ali na minha frente...... rs.

Uma tela touch screen totalmente acessível. rsrsrsrsrs.

Custei para acreditar.

quando o sistema estava ativo, no primeiro toque era dito o ícone no qual você tocou e no segundo, aí sim era ativado....

Olha. Era uma situação até então nunca vista.

Normalmente as soluções para celulares e computadores baseavam-se em comprar o equipamento a ser utilizado, que normalmente já era caro, fora da realidade da maioria e ainda, gastar uma outra grana absurda para poder utilizar.

tipo: comprar um celular Nokia caro e depois gastar ainda uma grana num software para fazer o bicho falar.

Mesma coisa, computadores.

é legal ver que o panorama começava a mudar.

A Apple, com a solução já incorporada no Ipod touch, Ipad, Iphone e também no seu sistema operacional para computador, além de outros equipamentos.

O sistema operacional Androidpara celulares, que, a exemplo da apple já incorpora programas que facilitam o uso por qualquer pessoa.
Em fim: um novo leque estava aberto. A pessoa já poder comprar um celular e sair da loja usando......

Com relação à computadores, só o sistema windows ainda não vem com uma solução que resolva problemas de acessibilidade que funcione eficientemente.

O Linux, que muita gente diz que não presta só por ser software livre, vem com um leitor e ampliador de telas nativo em algumas distribuições e também com softwares para pessoas com dificuldade motora.

Em fim. A coisa está mudando.

Porém, infelizmente, isso ainda não se reflete nos aparelhos eletrônicos mais simples e populares.

Vou falar da TV que você tem em casa... Isso. essa mesmo.

A TV para o cego atualmente, praticamente limitou-se a selecionar o canal, controlar o volume, ligar e desligar..... Sério.

Hoje, se o cego quer por exemplo programá-la para desligar depois de algum tempo, além de outras funções, se complica.

Eu aprendi a programar a minha porque eu sou maluco. kkkkk.

Pedi para que um amigo me mostrasse onde era o menu e eu tive que decorar quantas vezes eu tinha que apertar a seta, seleciona, depois tantos toques, hora, minutos....... rsrsrsrs. E assim eu vou me virando. kkkk.

Então.... Já temos celulares com acessibilidade, sistemas operacionais para computador, mas a TV........

e não me venha com esse papo de criar uma TV especial... Putz... TV pastel de feira..... kkkkk. e querer vender por um preço absurdo.

Refiro-me a ter acessibilidade nessa TV que tá ali na loja e eu quero comprar.

To pedindo demais?

Não....

Não to por um motivo só:

Se você não sabe, quando você compra um celular, TV, computador, seja o que for, os fabricantes te repassam um custo maior, alegando o investimento em pesquisas e implementos para que o equipamento esteja dentro do desenho universal, coisa que na prática não existe em muitos casos.

Então, só estou pedindo pelo que eu e você, que nesse momento lê meu blog, já pagamos.

E quando eu falo em desenho universal, não estou dizendo dar acessibilidade ao cego. aliás quando se fala em acessibilidade, não é só tornar acessível aos cegos...

A uma pessoa idosa, pessoas com dificuldade motora, etc.

Outra pergunta:

Usuário de TV por assinatura.

qual é o requisito básico hoje pra você pegar o controle de sua TV e acessar o guia de programação?

Enxergar? Não.... enxergar bem, porque já ouvi muita gente que enxerga e por já não ter a visão tão favorecida como idosos, relatarem dificuldades com isso.

cegos ainda utilizam a Internet para solucionar o problema. Porém, 90% dos sites das ditas operadoras, não colaboram pra isso.

Aliás, parabéns pra Net.

sério.. Nesse quesito de acessibilidade noo site a Net dá show.....

agora vai um pequeno probleminha que precisarei depois de um amigo para me ajudar....

Mudança do idioma pelo controle..... rs.

sério.

Tenho um hábito.....

Não curto muito assistir à filmes e séries dublados. calma.... Ainda não fiquei maluco......... Prefiro legendado, sim...... rs.... Tá... eu sei que não vou ler a merda da legenda... Deixa eu explicar......

Estou aprendendo e buscando aperfeiçoar o inglês.

Por isso tenho optado por filmes e séries no idioma original, até porque assim, passo também a conhecer as vozes dos atores e atrizes e não fico limitado às vozes de quem dubla.

Assim, algumas séries como CSI por exemplo, que eu adoro, peguei o hábito de assistir em inglês.

Outro dia fui pego de surpresa:

Coloquei no canal sony para assistir e.... Putz... dublado....... Legal! Facilitou muita gente! Mas pra mim.... Putz ficou muito estranho.... Parecia que estava assistindo à outra série. rsrsrsrs.

Pior... Não sei mudar a merda do idioma. Rs.

Agora vou ter que esperar que alguém me mostre se é em algum botão, ou se tenho que dar inúmeras setinhas em algum menu infernal, decorando-as para que eu consiga voltar a assistir CSI da forma que estou acostumado. rsrsrs.

4 comentários:

Emilee Mickely disse...

Verdade.. a tecnologia tá avançando.
Mas ainda é mais barato comprar um celular Nokia e o programa pra fazer ele falar do que um IPhone.
Acho que a acessibilidade relamente é algo para deficientes ricos kkkk
Abraços

André Carioca disse...

Emilee. Infelizmente não é mais barato.
Olhe os preços dos Nokia compatíveis com o programa de fala e, some ao preço a licença do programa.

Verá que sairá bem mais caro que um Iphone ou um aparelho android já com o leitor de telas.

Aline Rodrigues disse...

Olá André,
Primeiramente Parabéns por seu trabalho em mostrar a acessibilidade para deficientes visuais e sua opinião sobre ela. Achei muito interessante! E em segundo lugar, gostaria de te pedir uma gentileza, se possível, é que sou estudante de Jornalismo da Universidade Mackenzie-SP e estou realizando uma reportagem para nosso jornal interno sobre Culturas destinadas a deficientes visuais. A ideia veio depois da visita a uma exposição que acontece aqui em São Paulo, e já passou pelo Rio, chamada Além do Olhar, onde deficientes visuais têm acesso as obras com o toque em alto relevo e escutam a descrição das mesmas. Diante disso, estou precisando urgentemente de um depoimento de uma pessoa que assim como você conheça bastante sobre projetos de acessibilidade. Seria só sua opinião sobre as culturas destinadas a deficientes visuais, se elas são ativas no Brasil e se os deficientes sempre tomam conhecimento de que elas estão disponíveis. A resposta pode ser via e-mail alinerodriguesimercio@gmail.com mesmo ou por aqui, até sábado acompanhada de seu nome, idade e profissão.
Desde já muuuito obrigada,
Aline.

Andreonni disse...

André muito interessante sua colocação sobre acessibilidade nesse novo mundo tecnológico, gostei muito do seu texto e aprendi com você!